Trump abre porta para reavaliar apoio dos EUA à soberania das Malvinas, mirando gastos militares do Reino Unido
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (31) que está aberto a revisar a posição de neutralidade do país quanto à soberania das Ilhas Malvinas. Essa possibilidade surge em um contexto de pressão americana para que aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aumentem seus investimentos em defesa.
Os Estados Unidos historicamente reconhecem a administração britânica sobre o arquipélago, mas evitam se posicionar oficialmente sobre a disputa de soberania com a Argentina, atualizada pelo presidente Javier Milei, um aliado de Trump. A disposição em rever essa neutralidade, segundo o jornal britânico Daily Telegraph, visa pressionar o Reino Unido a cumprir metas de gastos com defesa.
Trump afirmou na Casa Branca que “sempre revisa cada posição, essa é apenas uma de muitas”. Questionado sobre o desejo de ver o Reino Unido aumentar seus compromissos de gastos militares, ele respondeu que “o Reino Unido tem alguns problemas, mas eles serão resolvidos”. A mudança de postura pode impactar a política externa americana, especialmente após o vazamento de um e-mail no Pentágono que indicava uma revisão interna sobre o tema em abril.
Pressão por gastos militares e insatisfação com aliados
A possível revisão da posição dos EUA sobre as Malvinas está ligada a um esforço maior do governo Trump para que os aliados da OTAN atinjam um objetivo de gastos com defesa de 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB). O Departamento de Estado americano, em abril, reiterou a neutralidade do país, mas uma análise do Pentágono pode colocar essa postura em xeque.
O porta-voz do Pentágono, Kingsley Wilson, já havia expressado insatisfação em abril, afirmando que, “apesar de tudo o que os EUA fizeram por nossos aliados da OTAN, eles não estiveram presentes para nós”. Ele adicionou que o Departamento de Guerra garantiria que o presidente tivesse “opções viáveis para assegurar que nossos aliados deixem de ser apenas figuras decorativas e passem a fazer a sua parte”.
Conflito com o Irã e histórico da Guerra das Malvinas
Além da pressão por gastos militares, o contexto inclui a insatisfação de Trump com aliados ocidentais que não apoiaram Washington na guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro. O Reino Unido, inicialmente, vetou o uso de bases militares britânicas pelos EUA no conflito, mas posteriormente alterou sua decisão.
A questão das Malvinas remonta a um conflito armado de quatro décadas atrás, que resultou na morte de 649 argentinos, 255 britânicos e 3 habitantes do arquipélago. Na época, o presidente americano Ronald Reagan adotou uma postura neutra, mas forneceu apoio militar e de inteligência ao Reino Unido após o fracasso das negociações de paz, evidenciando a complexidade histórica e geopolítica do tema.





