Trump afirma que Venezuela ainda não está pronta para eleições, mas EUA colhem frutos do petróleo após intervenção em Caracas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a Venezuela ainda não atingiu o ponto ideal para a realização de eleições, apesar dos esforços e progressos mencionados por ele. Essa declaração surge quase oito meses após a intervenção de Washington em Caracas, com o objetivo de prender o ditador Nicolás Maduro.
Trump elogiou o trabalho da líder interina, Delcy Rodríguez, e destacou o expressivo aumento na produção de petróleo do país. Segundo ele, os lucros gerados estão beneficiando tanto a Venezuela quanto os Estados Unidos, com o envio de petróleo para refinarias americanas.
As afirmações do presidente americano contrastam com os relatórios de organizações de direitos humanos e da ONU, que apontam a persistência de violações e a falta de desmantelamento do aparato repressivo. A oposição venezuelana, por sua vez, vê a declaração de Trump como um desestímulo às suas aspirações democráticas.
Aumento do investimento americano no setor petrolífero venezuelano
Desde a intervenção em Caracas, observa-se um crescimento significativo no capital americano investido no setor petrolífero da Venezuela, país que detém as maiores reservas de petróleo do mundo. A empresa americana Chevron, por exemplo, tem ampliado seus investimentos, conforme anunciado por Delcy Rodríguez em abril, que destacou o potencial de geração de receita para o benefício do povo venezuelano.
Esses novos acordos e o aumento do investimento estrangeiro levantam questionamentos sobre o real impacto da intervenção americana na democratização do país. Enquanto os EUA celebram os ganhos econômicos, as condições para eleições livres e justas na Venezuela continuam sendo um ponto de preocupação para observadores internacionais e a oposição.
Oposição venezuelana critica falta de reformas e direitos humanos
Apesar da libertação de alguns presos políticos e do fechamento do centro de tortura Helicóide após a intervenção americana, centenas de pessoas ainda permanecem detidas sem julgamento justo. Organizações de direitos humanos e a missão de investigação da ONU relataram que as estruturas institucionais que facilitam as violações de direitos humanos não foram desmanteladas.
A advogada Maria Eloisa Quintero, representando um grupo de direitos humanos, enfatizou que a Venezuela não pode ser considerada no caminho da reforma de direitos humanos enquanto o aparato repressivo persistir. A oposição, liderada por figuras como María Corina Machado, expressa frustração com a falta de progresso democrático e a contínua repressão.
Desencorajamento à oposição e declarações sobre o futuro político
A declaração de Trump, afastando a possibilidade de eleições iminentes, representa um golpe para a oposição venezuelana, que alega ter sido vítima de fraude nas eleições de 2024. Trump expressou dúvidas sobre a capacidade da líder opositora María Corina Machado de unir o país, apesar de ter recebido dela uma medalha do Nobel da Paz.
Machado, que deixou o país devido ao aumento da repressão, continua a articular a oposição à distância e tem se manifestado sobre a recente tragédia dos terremotos na Venezuela, incentivando a união e o apoio mútuo. Enquanto isso, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, indicou que Machado poderia ter um papel na reconciliação do país, ressaltando a importância de todos os segmentos da sociedade venezuelana serem representados.





