Trump manda repórter da CNN se calar e Casa Branca ataca filhos dela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, protagonizou um momento de tensão em uma coletiva de imprensa na Casa Branca nesta segunda-feira (17), ao gritar com a repórter da CNN, Kristen Holmes, mandando-a se calar e a acusando de trabalhar para uma emissora de “fake news”.
O incidente ocorreu enquanto Trump recebia um salva-vidas e um menino resgatado por ele na Califórnia. Em meio ao burburinho de repórteres, Holmes fez uma pergunta sobre se Trump havia conversado com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, antes de cancelar um exercício militar conjunto com a Coreia do Sul.
A resposta de Trump foi ríspida: “Quieta. Quieta. Você é muito desrespeitosa, está desrespeitando esse menino”, declarou o presidente, virando-se para o convidado e perguntando se ele também achava a repórter desrespeitosa. Em seguida, voltou-se para Holmes: “Calada. Você trabalha para quem?”. Ao ouvir “CNN”, Trump disparou: “Fake news”. Conforme relatado, o presidente americano continuou a gritar, chamando Holmes de “pessoa grosseira” e “reportera falsa”.
Ataques pessoais e defesa da imprensa
Horas após o ocorrido, uma conta oficial da Casa Branca na rede social X intensificou os ataques, dirigindo-se a Holmes de forma pessoal e cruel: “Um dia, seus filhos vão encontrar sua pergunta nojenta e desumana. Eles ficarão enojados e envergonhados de ter uma mãe tão insensível e vingativa. É perturbador”.
A atitude de Trump e da Casa Branca gerou forte reação de colegas de Holmes, tanto da CNN quanto de outros veículos de imprensa. Em nota oficial, a CNN defendeu sua repórter, afirmando que Kristen Holmes “é uma das repórteres mais respeitadas e bem-sucedidas que cobrem a Casa Branca” e que ela fez “uma pergunta relevante, difícil e noticiosa em nome do povo americano”.
A emissora ressaltou que, embora autoridades públicas tenham o direito de questionar reportagens, “ataques pessoais contra jornalistas por fazer perguntas não fazem jus a esses cargos e são incompatíveis com os princípios da liberdade de imprensa”. A CNN declarou apoio a Holmes e rejeitou os ataques “nos termos mais fortes possíveis”.
Histórico de ataques e contexto das reportagens
Donald Trump possui um histórico notório de ataques verbais a jornalistas mulheres. Exemplos incluem xingamentos como “corrupta ou burra” a Kristen Welker, da NBC, e “porquinha” a Catherine Lucey, da Bloomberg News, em ocasiões anteriores.
A explosão do presidente americano ocorreu em meio a uma série de reportagens da CNN e de outros veículos sobre as condições precárias a bordo do porta-aviões nuclear USS Abraham Lincoln. Segundo as publicações, o navio, com cerca de 5.000 pessoas a bordo, está no mar desde novembro de 2025, um período considerado extremamente longo sem aportar, especialmente em tempos de paz, quando a Marinha americana costuma visitar portos a cada 45 dias.
Veículos especializados como o Navy Times e o Stars and Stripes noticiaram tentativas de suicídio a bordo da embarcação, o que foi negado pelo Pentágono. Trump, por sua vez, afirmou que o USS Abraham Lincoln está em “ótimas condições” e que a imprensa “mente”.





