Tunísia em Ebulição: Milhares Protestam Contra Crise Econômica e Repressão em Massa
Milhares de tunisianos tomaram as ruas da capital, Túnis, em um dos maiores protestos dos últimos anos. A manifestação, liderada pela principal central sindical do país, a UGTT, e por grupos da sociedade civil, expressa profunda insatisfação com a gestão do presidente Kais Saied.
Os manifestantes acusam Saied de minar a democracia, dissolver o Parlamento e governar por decretos, medidas que seus opositores classificam como um golpe. Paralelamente, a crise econômica se agrava, com deterioração dos serviços públicos, cortes de água e energia, e escassez de produtos essenciais.
Grupos de direitos humanos também denunciam uma intensificação da repressão contra a sociedade civil, jornalistas e opositores. Saied nega as acusações, afirmando não ser um ditador e culpando seus adversários por alimentar a agitação social. Conforme apurado pela Reuters, os participantes pediram a libertação de críticos do governo e o fim dos ataques aos direitos sindicais.
União contra a Crise e a Repressão
Em uma rara demonstração de unidade, partidos de oposição de diversas correntes políticas se juntaram a advogados, médicos, jornalistas, desempregados e membros da sociedade civil. A marcha ocorreu na icônica avenida Habib Bourguiba, palco de protestos históricos em 2011.
O evento representa um desafio significativo para Saied, após anos de divisões enfraquecerem a capacidade da oposição de mobilizar grandes multidões. “O silêncio não será mais aceitável. O Estado não pode ser construído concentrando todos os poderes nas mãos de uma única pessoa”, declarou Slah Eddine Salmi, dirigente da UGTT.
Descontentamento Econômico e Grito por Liberdade
Os manifestantes entoaram slogans como “Sem medo, o poder pertence ao povo” e “as prisões estão cheias, o povo está com fome”. O lema emblemático da revolta de 2011, “O povo quer a queda do regime”, foi retomado com força.
A frustração com o desemprego e a poluição também foi expressa em cartazes. “Basta! O país está desmoronando. Sofremos com cortes de energia e de água, e enfrentamos uma crise após a outra”, desabafou Yassine Gharseli, manifestante vindo de Sfax. “Vim de Sfax para defender minha liberdade e não pretendo desistir”.
Onda Global de Protestos
A Tunísia se insere em um contexto global de crescentes manifestações. Jovens e cidadãos em diversas partes do mundo têm ido às ruas, combinando insatisfação econômica, precariedade de serviços públicos e críticas à corrupção e à falta de representatividade política.
Protestos recentes foram registrados em países como Índia, França, Indonésia, Marrocos, Madagascar e Peru. Essa onda reflete uma geração marcada pela desconfiança nas instituições, buscando novas formas de expressão e reivindicação de direitos e melhores condições de vida.





