Ucrânia Lança Maior Ataque de Drones Contra Moscou em Dois Anos, Provoca Incêndios e Atrasos em Aeroportos
A Ucrânia realizou nesta quinta-feira o que autoridades russas descreveram como o maior ataque com drones contra Moscou nos últimos dois anos. A ação resultou em incêndios na capital russa e arredores, além de interrupções significativas nas operações dos principais aeroportos, com centenas de voos sendo atrasados.
Drones atingiram uma importante refinaria de petróleo na capital russa, em um ataque que o prefeito Sergei Sobyanin classificou como “em larga escala”. A extensão dos danos ainda não foi totalmente revelada, mas grandes colunas de fumaça foram visíveis sobre a periferia sul da cidade.
Em resposta, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que o país implementará “ataques coordenados em larga escala e com regularidade”. Conforme informação divulgada pela agência AFP, o ataque ucraniano é considerado uma “resposta plenamente justificada aos ataques russos contra nossas cidades”, segundo declarações do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.
Refinaria e Edifícios Residenciais no Alvo dos Drones
A refinaria MNPZ, localizada no distrito de Kapotnia, foi palco de um grande incêndio provocado pelos drones. Este é o segundo ataque ucraniano contra a mesma refinaria em menos de uma semana, sendo que na terça-feira anterior, outro ataque já havia causado incêndio e danos significativos. A MNPZ é responsável por mais de um terço das necessidades de combustível da capital russa.
Além da refinaria, outro drone atingiu um edifício residencial na região de Zhukovsky. Os destroços de um aparelho não identificado também provocaram um incêndio em um centro comercial próximo à capital, conforme relatou o governador da região, Andrey Vorobyov.
Impacto nos Aeroportos e Defesas Russas
O ataque com drones forçou o fechamento dos aeroportos de Moscou por algumas horas, resultando no **atraso de centenas de voos**. O aeroporto Sheremetyevo, o mais importante da capital, informou que precisou transferir passageiros para “locais seguros” durante o período de alerta. As defesas antiaéreas russas afirmam ter derrubado 180 drones que se aproximavam de Moscou, segundo o prefeito Sobyanin. O Ministério da Defesa russo, por sua vez, declarou ter interceptado mais de 500 drones ucranianos em todo o país durante a madrugada.
Contexto e Declarações Oficiais
O ataque coincide com a realização de uma reunião entre o presidente russo Vladimir Putin e líderes da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) em Kazan, localizada a quase 700 km de Moscou. Zelenski enfatizou que o objetivo desses ataques é fazer com que o povo russo “comece a sentir que é um homem, [Vladimir] Putin, quem trava esta guerra, enquanto as pessoas comuns pagam o preço”. Ele acrescentou: “Nós não queremos esta guerra e jamais a quisemos (…) Mas se a Ucrânia queima, a sua Moscou também vai queimar”.
Nos últimos meses, a Ucrânia tem intensificado operações com drones contra refinarias de petróleo, consideradas um ativo crucial para o esforço de guerra russo. Zelenski descreve essas ações como “sanções de longo alcance”, pedindo que a Rússia adote passos diplomáticos para o fim do conflito. Em contrapartida, a Rússia lançou mais de 200 drones e vários mísseis balísticos contra a Ucrânia entre a noite de quarta e a manhã de quinta-feira, conforme informações da Força Aérea ucraniana.
Medidas de Segurança e Tensão Diplomática
Em resposta aos ataques recentes, autoridades russas têm reforçado as defesas antiaéreas e implementado medidas de segurança. A Autoridade Federal de Aviação proibiu o sobrevoo de drones e aeronaves civis leves sobre o espaço aéreo de Moscou. Além disso, restrições foram impostas à publicação de fotos e vídeos de locais atingidos por drones ucranianos, buscando controlar a narrativa e a percepção pública.
O conflito, que começou em fevereiro de 2022, é o mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortes. Apesar dos apelos internacionais, como os feitos pelo presidente americano Donald Trump durante a cúpula do G7, para um acordo de paz, Putin tem se recusado a ter um encontro presencial com Zelenski e mantém o objetivo de controlar a totalidade da região ucraniana do Donbass.





