A ascensão de Ulrich Siegmund, o carismático e polêmico líder da extrema direita alemã, agita o cenário político da Alemanha e da Europa.
O nome de Ulrich Siegmund, de 35 anos, está sob os holofotes internacionais. O político da Alternativa para a Alemanha (AfD) pode se tornar o primeiro de extrema direita a assumir um cargo de poder significativo no país desde a Segunda Guerra Mundial, um marco que remete a tempos sombrios da história alemã.
A possibilidade ganha força com a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, região no leste da Alemanha. Pesquisas indicam que a AfD pode alcançar mais de 40% dos votos, um desempenho que preocupa o establishment político e a sociedade.
A revista Der Spiegel o classificou como “o homem mais perigoso” do país, enquanto o Financial Times descreve seu sorriso como um “ar de personagem criado por IA”. O Le Monde aponta que ele prefere ser chamado de Ulli, um detalhe que demonstra sua estratégia de aproximação com o eleitorado. Conforme informações divulgadas pelo Financial Times, Siegmund é visto como uma figura chave para o futuro da AfD, com planos para Berlim em 2033, mas seu objetivo imediato é se tornar ministro-presidente na Saxônia-Anhalt.
A estratégia de “normalidade” e o programa radical da AfD
Apesar da imagem pública contida e de um discurso que busca ser simpático, o programa de governo de Ulrich Siegmund e da AfD é marcado por propostas radicais. Entre elas, destacam-se a deportação em massa de imigrantes, a exclusão de estrangeiros dos serviços de saúde e uma definição restrita de família, composta apenas por homem, mulher e filhos.
O partido também demonstra descontentamento com a atuação de igrejas, considerando que nem a Evangélica nem a Católica são “cristãs o suficiente”. Essa postura reflete uma visão conservadora e nacionalista que tem ganhado força em partes da Alemanha.
Siegmund, que nasceu em 1990, após a queda do Muro de Berlim, tem uma formação em psicologia corporativa e atuou no marketing olfativo. Ele se filiou à CDU aos 18 anos, mas mudou para a AfD em 2014, capitalizando em seu discurso contra as medidas de restrição durante a pandemia de COVID-19, o que lhe rendeu projeção nacional.
O “homem mais perigoso” e o apelo nostálgico
A campanha de Ulrich Siegmund tem se destacado mais por passeios e caravanas, utilizando uma motoneta Simson, um ícone da Alemanha Oriental, como símbolo de um passado idealizado. A AfD promete um retorno a esses “bons tempos”, sem detalhar como isso seria possível, e frequentemente apresenta propostas que beiram o inconstitucional ou fogem da alçada estadual.
O partido explora a “memória afetiva” e critica o que chama de “memória histórica mal ensinada” nas escolas, prometendo intervir nas áreas de cultura e educação. A estratégia de Siegmund, como revelado em uma reunião com empresários, é parecer “um cara completamente normal, alguém com quem as pessoas pudessem se identificar”, enquanto decisões cruciais seriam tomadas “nos bastidores”.
Preocupações com a segurança e o futuro da Alemanha
A ascensão da AfD, classificada pelos serviços de segurança alemães como de “extrema direita comprovada”, gera apreensão. O partido contesta essa classificação judicialmente, mas em diretórios estaduais como o de Siegmund, o rótulo já é um fato, com investigações por discurso de ódio e citações nazistas.
O gabinete do primeiro-ministro Friedrich Merz discute formas de impedir que um eventual governo da AfD tenha acesso a segredos de Estado. Parte do establishment político defende até mesmo o banimento do partido. Se a eleição fosse nacional, a AfD obteria 28% dos votos, segundo pesquisas.
Siegmund afirma que respeitará o resultado das urnas, mas a possibilidade de não atingir a “maioria segura” de 45% o leva a prever protestos de seus apoiadores. Seu perfil de “popstar” da política, com um porte atlético e um sorriso que se tornou marca registrada, faz com que o epíteto de “homem mais perigoso” se torne, paradoxalmente, um trunfo em sua campanha.





