
Nova Lei Portuguesa de Nacionalidade Aumenta Exigências e Gera Preocupação com Reciprocidade no Brasil
Nova Lei de Nacionalidade em Portugal: Barreiras para Brasileiros e Risco de Reciprocidade no Brasil A Assembleia da República de Portugal aprovou uma nova Lei da Nacionalidade que impõe regras mais rigorosas para a obtenção da cidadania portuguesa. A medida, que afeta especialmente cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como os brasileiros, também levanta a possibilidade de retaliação por parte do Brasil, através do princípio da reciprocidade. A legislação, aprovada por 152 votos a favor e 64 contra, eleva o tempo mínimo de residência legal exigido para solicitar a cidadania. A mudança pode criar um cenário complexo para milhares de portugueses que residem em território brasileiro. A nova lei, que ainda será analisada pelo Presidente da República, António José Seguro, representa um endurecimento significativo nas regras de imigração e nacionalidade, gerando debates sobre seus impactos nas relações bilaterais entre Portugal e Brasil. Conforme informação divulgada pela Assembleia da República, a proposta busca redefinir os critérios de acesso à nacionalidade portuguesa. Aumento do Tempo de Residência Legal Um dos pontos centrais da nova Lei da Nacionalidade é o aumento do tempo mínimo de residência legal para a solicitação da cidadania. O prazo passa de cinco para sete anos, contados a partir da emissão da autorização de residência pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo. É importante notar que o período de espera pela autorização não será mais computado. Para outros estrangeiros, o tempo de residência exigido será ainda maior, chegando a dez anos. Essa mudança impacta diretamente os brasileiros que buscam estabelecer residência e obter a cidadania em Portugal, exigindo um planejamento de longo prazo. Mudanças para Crianças e Pais A legislação também altera as regras para crianças nascidas em Portugal. Elas só terão direito à cidadania após completarem cinco anos de residência legal no país com um título válido. Anteriormente, o processo era mais direto. Além disso, pais estrangeiros de crianças nascidas em Portugal perdem o direito de solicitar a cidadania com base na paternidade ou maternidade. Essa alteração visa restringir ainda mais as formas de aquisição da nacionalidade por descendência ou nascimento em território português. Retirada da Cidadania e Fim do Regime Sefardita Outra modificação significativa é a possibilidade de retirada da cidadania portuguesa para estrangeiros condenados a penas de cinco anos ou mais por crimes graves. O limite de pena que impedia a aquisição da nacionalidade também foi reduzido de cinco para três anos de prisão. O regime especial que facilitava o processo para descendentes de judeus sefarditas também foi extinto. Essa medida encerra um capítulo de facilitação para um grupo específico, alinhando-se à tendência de endurecimento geral das regras. Preocupação com a Reciprocidade Brasileira A socióloga e ativista angolana Luzia Moniz aponta que a nova lei cria um problema onde antes não existia, atribuindo a influência da extrema direita na agenda política portuguesa. Ela ressalta que a medida dificulta a obtenção da nacionalidade para cidadãos da CPLP e gera um descompasso com a facilidade com que portugueses obtêm cidadania em outros países. A








