UNE: Estudantes Retomam Protagonismo em Momento Decisivo para a Democracia e Educação no Brasil
A preocupação com os rumos do país e os riscos para as instituições democráticas e a educação impulsionaram o movimento estudantil a ocupar as ruas novamente. Milhares de estudantes têm promovido atos em diversas cidades, defendendo a democracia e a educação pública, e se posicionando sobre as propostas dos candidatos às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
Em entrevista à Agência Brasil, Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), ressalta o protagonismo de universitários e secundaristas nas manifestações. Ela relembra a trajetória histórica dos estudantes brasileiros em momentos cruciais da política nacional, como a luta contra a ditadura militar, as Diretas Já, o impeachment de Fernando Collor e os protestos contra o governo de Jair Bolsonaro.
Bianca Borges enfatiza que o momento atual representa um risco real para o futuro do país, com a possibilidade de um governo autoritário que seria contrário à educação e representaria um retrocesso. A dirigente também aborda os desafios enfrentados pelas universidades públicas, como o subfinanciamento e a necessidade de ampliar a assistência estudantil para garantir a permanência de alunos de baixa renda.
A presidente da UNE relaciona a defesa da democracia à valorização da universidade pública e à melhoria das condições de vida da juventude e da classe trabalhadora. Ela destaca a importância da organização estudantil contínua, ressaltando que a participação coletiva é fundamental para transformar reivindicações em direitos concretos. A entidade apoia a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva como forma de barrar o avanço do bolsonarismo e fortalecer a democracia.
Histórico de Lutas Estudantis e Mobilização Atual
Bianca Borges compara a mobilização atual com a histórica Passeata dos Cem Mil de 1968, realizada durante a ditadura militar. Ela menciona um ato recente no Rio de Janeiro que reuniu um grande número de pessoas, homenageando Edson Luís, símbolo da luta estudantil contra o autoritarismo. Os atos atuais, segundo Borges, convertem a indignação em protestos que tomam o país.
O movimento estudantil tem se mobilizado ativamente desde o primeiro turno das eleições. O primeiro ato ocorreu na UFF (Universidade Federal Fluminense), que inicialmente seria uma assembleia para organizar a campanha de apoio a Lula, mas ganhou proporções maiores e tomou as ruas. O protagonismo é majoritariamente de universitários, mas a iniciativa e mobilização de estudantes secundaristas também têm sido uma grata surpresa, como no caso do Colégio Pedro II, que convocou um ato no Rio de Janeiro.
Grêmios estudantis também têm se somado ao movimento. A UNE considera fundamental unir forças e tem demonstrado essa união nas ruas. Manifestações em Brasília também reuniram estudantes e outros setores da sociedade, como a classe trabalhadora, o que é considerado imprescindível para a força do movimento.
Principais Reivindicações e Riscos para a Educação
As reivindicações estudantis atuais giram em torno da defesa da educação pública e democrática. Borges relembra o projeto Future-se, apresentado em 2019, que a UNE considerava um ataque ao caráter público da universidade e um desvirtuamento de seu papel. As falas de Jair Bolsonaro, chamando centros acadêmicos de “ninho de rato”, e a nomeação de reitores interventores são citadas como manifestações de uma agenda antidemocrática na educação.
A candidata Flávio Bolsonaro é vista como uma ameaça à democracia e aos direitos sociais, especialmente na área da educação. Bianca Borges aponta o risco de um “tesouraço” nos direitos sociais e na educação, além do subfinanciamento das universidades públicas, que já dura mais de dez anos. A falta de condições para pagar bolsas e manter laboratórios em bom estado são exemplos do desmonte que a universidade pode sofrer.
Uma das propostas polêmicas de Flávio Bolsonaro é a transferência da gestão das universidades federais do MEC para o MCTI. Borges critica essa medida, afirmando que o MCTI possui um orçamento muito inferior e que a proposta visa aproximar as universidades do setor produtivo de forma restrita, focando exclusivamente nos interesses do mercado, o que a UNE rejeita.
O que a UNE Entende por Fascismo e o Apoio a Lula
Para a UNE, o fascismo no contexto brasileiro atual se manifesta através do autoritarismo. Isso inclui a deslegitimação da organização popular, o desmonte da participação social, a criminalização da organização política estudantil e o incentivo à violência política. A entidade relata ameaças de incêndios criminosos a universidades e a sede da UNE, lembrando o incêndio ocorrido em 1º de abril de 1964, dia do golpe militar.
O apoio a Lula, segundo Bianca Borges, visa barrar a volta do bolsonarismo ao poder, que representa violência política, ódio e antidemocracia. A eleição de Lula é vista como uma oportunidade para fortalecer a democracia e a soberania brasileira. O projeto de Flávio Bolsonaro é descrito como entreguista, com propostas de alinhamento aos Estados Unidos e entrega de terras raras a mineradoras americanas.
A UNE considera que avanços na educação, como a expansão das universidades federais e institutos federais, foram significativos durante o governo Lula. Embora reconheça contradições, a entidade acredita que o caminho para o progresso na educação passa pela continuidade desse governo. Sob um governo de Flávio Bolsonaro, a legitimidade para protestar e reivindicar direitos seria comprometida.
Perspectivas e Desafios Futuros
As reivindicações da UNE para as universidades incluem a consolidação do Plano Nacional de Assistência Estudantil com orçamento robusto, o aumento dos investimentos em universidades públicas e estaduais, e a efetivação do investimento de 10% do PIB na educação pública. A entidade também defende maior fiscalização do ensino superior privado.
A UNE busca engajar jovens desencantados com a política, mostrando que a luta coletiva é o caminho para efetivar direitos. A entidade destaca programas como o Pé-de-Meia e a importância histórica dos governos que apostaram na expansão do acesso à educação para estudantes de baixa renda, considerando a educação um passaporte para uma vida mais digna.
A mobilização estudantil pretende continuar ativa para além do período eleitoral. A organização permanente dos estudantes no movimento estudantil é vista como essencial para a longevidade das lutas, independentemente do resultado das eleições. A UNE reafirma que a batalha por direitos e pela democracia não termina no dia do pleito.
(Fonte: Agência Brasil)





