Vanessa Moreno Reinterpreta Djavan em Novo Trabalho Distante do Convencional
A cantora Vanessa Moreno lança o álbum “Vanessa Moreno visita Djavan”, explorando o vasto cancioneiro do renomado artista. O trabalho, que chega ao público nesta sexta-feira, 29 de agosto, propõe uma imersão no universo rítmico de Djavan, mas sob a ótica singular de Moreno, afastando-se das interpretações típicas de bares e festas.
Com uma abordagem musical livre e fora do padrão, Vanessa Moreno demonstra maestria em dialogar com as complexas harmonias de Djavan, compositor que, apesar de sua sofisticação musical desde os anos 1970, tornou-se um ícone popular, cantado em todos os cantos.
O álbum é um recorte do show homônimo que a artista tem apresentado, especialmente em São Paulo, e foi gravado em apenas dois dias, em outubro de 2025, com produção musical de Fi Maróstica. Conforme divulgado, Moreno não dilui o repertório de Djavan para torná-lo mais acessível, mas sim o insere em seu próprio universo rítmico, valorizando as percussões vocais que a caracterizam.
Um Encontro de Ritmos e Universos
Em “Vanessa Moreno visita Djavan”, a cantora revisita nove canções do compositor, assinando os arranjos e a concepção artística junto aos músicos Felipe Roseno (percussão) e Tarcísio Santos (guitarra e efeitos). O resultado é um trabalho que respeita a essência de Djavan, mas que soa inconfundivelmente como Vanessa Moreno.
A “Aquele um” com Cadência Renovada
Um exemplo dessa reinvenção é o samba “Aquele um” (1980), de Djavan e Aldir Blanc. A cadência da música é redesenhada por Moreno, que utiliza suas características percussões vocais para dar um novo suingue, sem perder a conexão com a obra original. A interpretação foge do óbvio, mostrando a habilidade da artista em adaptar o cancioneiro.
Euforia e Sabor em Clássicos
O álbum também transborda a euforia crescente de “Lilás” (1984), um dos maiores sucessos de Djavan, e evoca o calor descrito em “Cigano” (1989) através de percussões vibrantes e efeitos sonoros. Moreno degustou cada verso de “Açaí” (1981) em uma gravação de temperatura amena, contrastando com a base percussiva de “Oceano” (1989), que dissipa a atmosfera romântica tradicional da canção.
Força e Introspecção em Novas Abordagens
A força de “Milagreiro” (2001) ressurge com um arranjo climático, que mescla efeitos, a guitarra de Tarcísio Santos e palmas evocativas de uma aura flamenca. Em contrapartida, a sofrida canção “Sim ou não” (1980) ganha uma ambientação mais introspectiva e melancólica, com acordes minimalistas da guitarra. A faixa “Boa noite” (1992) devolve o protagonismo ao ritmo habitual da cantora.
“Esfinge” como Amostra do Talento
A canção “Esfinge” (1982), lançada como single em 21 de agosto, serviu como amostra inicial do álbum e reforçou a habilidade de Vanessa Moreno em interpretar Djavan em seu próprio tom e ritmo, demonstrando um canto seguro e de alta qualidade. O trabalho reafirma a posição de Moreno na música brasileira, ao visitar um gigante sem perder sua identidade.





