
Lô Borges: ‘A Estrada’ Revela o Fim de uma Jornada Musical Premonitória e Emocionante
Lô Borges e o Adeus em ‘A Estrada’: Uma Jornada Musical Premonitória e Coerente Em 2023, Lô Borges e seu irmão Márcio Borges idealizaram “A Estrada” como o encerramento de uma parceria musical que remonta à década de 1970, responsável por clássicos como “Tudo que você podia ser”. Mal sabiam eles que o álbum se tornaria, de fato, um ponto final em todos os sentidos. Salomão Borges Filho, o eterno Lô Borges, nos deixou em novembro de 2025, aos 73 anos. Antes de sua partida inesperada, ele deixou como legado “A Estrada”, um álbum lançado nesta quarta-feira, 10 de junho, que, sem sua presença física, ressoa com uma força emocional indescritível. O disco, editado pela gravadora Deck, apresenta uma coleção de canções autorais que, segundo informações divulgadas, oferecem momentos de rara beleza e reflexão, com letras que parecem antecipar o adeus. O single “Campo Alegre KM 500 mil”, lançado previamente, já sinalizava a natureza introspectiva e a profundidade do trabalho. Versos que Anunciam o Fim e a Paz Em “Última Parada”, Lô Borges canta versos que ganham um significado pungente com sua partida: “Finalmente eu cheguei / Onde quero estar / Completei o prometido / Cumpri a missão / E vou em paz”. Estas palavras, longe de serem apenas poéticas, atestam o cumprimento da missão artística do músico. O álbum “A Estrada” demonstra que Lô Borges chegou ao fim de seu caminho com a **integridade e a coerência** que sempre marcaram sua carreira. Sem a necessidade de inovar ou surpreender artificialmente, o artista entrega um trabalho autêntico, que inclui até uma inesperada moda de viola. Destaques e Premonições em ‘A Estrada’ A obra é recheada de **lampejos de inspiração**. A faixa de abertura, “Pousada”, cativa de imediato com sua melodia envolvente e o DNA inconfundível de Lô Borges. A canção se destaca pela beleza e pela sonoridade que se insinua sedutora. Outro ponto alto é a interiorana “Chegada”, estrategicamente posicionada ao final do álbum. Sua arquitetura sertaneja e o toque da viola de dez cordas de Tavinho Moura, que divide os vocais com Lô, conferem à música uma beleza inusitada e um contorno de moda de viola, resgatando as raízes do cancioneiro caipira. Um Legado Folk com Toques de Beatles A atmosfera **folk** permeia boa parte do repertório, como em “Sem Saída”. Gravado em Belo Horizonte em 2025, com produção musical de Lô Borges, Henrique Matheus e Thiago Corrêa, o álbum traz uma evocação instrumental que remete a “Here Comes the Sun” dos Beatles, uma clara homenagem ao eterno amor de Lô pela banda. “Sem Saída” exemplifica o conceito do álbum, que transita entre caminhos físicos e existenciais, como sugerem os títulos de faixas como “Travessia do Deserto”, “18 Rodas” e “Um Velho Sentado na Beira da Estrada”. O Fim de uma Era com Dignidade “A Estrada” é o terceiro álbum fruto da parceria de Lô Borges com seu irmão Márcio, sucedendo “Harmonia” (2007) e “Muito Além do Fim” (2021). Contudo, este trabalho marca um **fim definitivo**, alcançado com a








