
Álcool no Palco: Conexão com Fãs Pode Prejudicar Saúde e Carreira de Artistas Sertanejos e do Rock
O uso de álcool por artistas como estratégia de conexão com o público pode gerar sérios prejuízos à sua saúde, desempenho e imagem. A frase “prepara o fígado” se tornou comum em shows sertanejos, antecipando o consumo de bebidas alcoólicas. No entanto, o que muitos veem como celebração pode mascarar uma estratégia arriscada de artistas para criar uma conexão com seus fãs, mas que, segundo especialistas, pode levar a problemas vocais, de performance e até crises de imagem e saúde mental. Essa busca por proximidade através do álcool não se restringe ao sertanejo. “O lema do rock sempre foi ‘sexo, drogas e rock n’ roll’. Para músicas de massa, mais populares, é o álcool. Até porque é liberado e mais barato”, aponta uma profissional da produção do universo sertanejo, que preferiu não se identificar. Ela observa que essa tentativa de parecer “como o público” pode levar a um excesso, comprometendo a qualidade artística. A psicóloga Juliana Chiavassa ressalta que o problema se agrava quando o artista declara publicamente dificuldades com a bebida, ou quando falha em suas apresentações. “Imagina um contratante que já viu um artista estouradíssimo dando várias declarações de que ele tem problemas com álcool”, questiona. Conforme informações divulgadas pelo g1, o patrocínio de grandes marcas de bebidas em eventos sertanejos também contribui para a normalização dessa prática. Os perigos da desinibição alcoólica para a voz e a performance O álcool, ao promover a desinibição, pode parecer um facilitador para o artista no palco. No entanto, a fonoaudióloga Thays Vaiano explica que essa sensação vem acompanhada de sérios riscos para a saúde vocal. A bebida tem efeito diurético, causando **desidratação das cordas vocais**, o que leva a maior esforço para cantar, fadiga vocal e, a longo prazo, pode gerar **lesões nas pregas vocais**. Além disso, o álcool afeta a coordenação motora, essencial para o canto, e diminui a percepção do esforço vocal. Isso faz com que o artista force mais a voz, sem perceber, aumentando o risco de não atingir as notas desejadas e de **lesões**. O refluxo gástrico, também desencadeado pelo álcool, pode irritar as cordas vocais, e a falta de tempo para recuperação em agendas lotadas pode agravar essas pequenas lesões, levando, em alguns casos, à necessidade de reabilitação vocal ou até cirurgia. A fonoaudióloga Leny Kyrillos acrescenta que bebidas destiladas podem causar um efeito de pseudoanestesia, onde o artista força a voz sem sentir o dano, que se manifesta após a passagem do efeito. Quando a conexão se torna dependência: a linha tênue para o alcoolismo O ponto em que o consumo de álcool deixa de ser um hábito e se torna um problema sério é quando o artista sente que **precisa da bebida para se apresentar**. “Se ele precisa do álcool para cantar, para exercer aquela profissão, ele tem algum problema que precisa de ajuda médica. Porque ele precisar do álcool para exercer aquela profissão já configura alcoolismo”, alerta Thays Vaiano. A psicóloga Juliana Chiavassa complementa, explicando que a dependência não se mede pela







