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Vendas de Imóveis Disparam no 1º Trimestre, Mas Guerra no Oriente Médio Ameaça Custos da Construção e Margens das Empresas

Mercado Imobiliário em Alta: Lançamentos e Vendas Crescem, Mas Custos Preocupam

O primeiro trimestre de 2026 apresentou um cenário positivo para as incorporadoras listadas na bolsa de valores, com um aumento expressivo nos lançamentos e vendas de imóveis em comparação com o mesmo período do ano anterior. Um levantamento aponta alta de 2,6% no valor lançado e um expressivo aumento de 16,8% nas vendas líquidas.

No entanto, as boas notícias vêm acompanhadas de uma sombra crescente: a instabilidade no cenário geopolítico global, especialmente a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, começa a impactar diretamente os custos da construção civil. A alta do petróleo, insumo fundamental para diversos materiais, gera apreensão no setor.

Essa combinação de crescimento nas vendas com a pressão sobre os custos exige atenção das empresas e do mercado. Acompanhe os detalhes e as projeções para o setor imobiliário nos próximos meses. As informações são de levantamento do Valor Econômico.

Petróleo em Alta Pressiona Custos de Materiais de Construção

O preço do petróleo Brent, principal indicador do mercado, registrou uma escalada de quase 41% desde o início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. Essa valorização tem um efeito cascata significativo, pois o petróleo é um componente crucial na produção de diversos materiais de construção. Cerca de 40% dos custos de produção do cimento, por exemplo, estão atrelados ao petróleo.

Além do cimento, materiais como aço e revestimentos também sofrem a influência direta do aumento dos preços do petróleo. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) já reflete essa pressão, acumulando uma alta de 5,81% em 12 meses até março. Enquanto a mão de obra subiu 9,04%, os materiais e serviços registraram um avanço de 3,55% no mesmo período.

Piero Trotta, analista do Citi, expressou a preocupação do mercado: “Uma preocupação nossa e acreditamos que também do mercado é que o problema está no petróleo, e é muito difícil para nós ou para as próprias incorporadoras mensurar o efeito no custo total, porque você tem diversos fornecedores”, afirmou ao Valor.

Minha Casa, Minha Vida e o Desafio da Margem das Construtoras

As empresas com forte atuação no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) podem ser as mais expostas aos impactos do aumento de custos. Isso ocorre porque, neste segmento, o preço final da unidade habitacional não é atualizado após a venda, mesmo que a obra ainda esteja em andamento e os custos de materiais e insumos já tenham subido.

“E ainda tem dois anos para construir, em cenário de custos bem diferente do que se imaginava em janeiro”, explicou André Mazini, também do Citi. Essa defasagem entre o preço de venda e os custos crescentes pode levar a uma contração nas margens de lucro brutas das construtoras. O cenário é desafiador para manter a rentabilidade.

Novas Faixas e Tetos do MCMV Podem Aliviar Pressão

Em um movimento para tentar mitigar os efeitos da inflação e impulsionar o setor, novas faixas de renda e tetos de preço para o programa Minha Casa, Minha Vida entraram em vigor. O limite foi elevado para até R$ 400 mil na faixa 3 e R$ 600 mil na faixa 4.

As cinco principais incorporadoras focadas no MCMV já haviam registrado um aumento de 16,9% nas vendas no primeiro trimestre. As novas regras do programa podem ajudar a absorver parte do aumento de custos e manter o ritmo de vendas, embora a pressão sobre as margens ainda seja um ponto de atenção para o setor em 2026.

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