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Venezuela: Construir Sistema de Alerta de Terremotos Levaria Décadas, Diz Especialista do USGS

Venezuela: Alerta de Terremotos é Missão de Décadas Segundo Especialista do USGS

A Venezuela, apesar de sua localização em uma zona de encontro de placas tectônicas, carece de um sistema robusto de alerta de terremotos. A população foi surpreendida pelo recente tremor, recebendo avisos por meio de um sistema do Google, uma alternativa temporária, mas não a solução definitiva. A construção de uma infraestrutura própria, embora essencial para a segurança, apresenta desafios monumentais.

O cientista físico do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), Robert-Michael de Groot, ressalta que a implementação de um sistema de alerta completo, similar ao dos EUA, é um processo que demanda décadas. A complexidade e os altos custos associados à infraestrutura necessária tornam essa tarefa árdua, especialmente para países em desenvolvimento ou em crise econômica.

A dependência de soluções externas como a do Google, embora útil em emergências, evidencia a necessidade de investimentos de longo prazo em segurança sísmica. A experiência de outros países, como o México, demonstra que a criação de um sistema eficaz é um caminho longo e custoso, mas com resultados comprovados na redução de perdas humanas.

Desafios na Construção de um Sistema de Alerta Sísmico

Robert-Michael de Groot, líder da equipe do ShakeAlert, o sistema de alerta antecipado de terremotos do USGS, explicou à Folha que a criação de uma infraestrutura completa é um empreendimento complexo. “Construir um sistema completo, como nos EUA, levou décadas”, afirmou. Ele detalha que nos Estados Unidos, os alertas não chegam apenas a celulares, mas também integram-se a infraestruturas críticas, como ferrovias e quartéis de bombeiros, para ações preventivas imediatas.

A realidade venezuelana, marcada por uma década de crise econômica e problemas estruturais como apagões e falta de água, agrava ainda mais a perspectiva de implementação de um sistema de alerta sísmico próprio. A falta de recursos financeiros e a necessidade de priorizar outras demandas urgentes tornam a tarefa ainda mais desafiadora.

Experiências Internacionais e a Importância da Preparação Populacional

O desafio de construir sistemas de alerta de terremotos não é exclusivo da Venezuela ou da América Latina, segundo Groot. “São necessários muitos recursos. Não vejo isso como um problema específico da América Latina ou do Caribe”, disse. Ele citou o exemplo do México, que após o devastador terremoto de 1985, iniciou a construção de seu sistema de alerta. O processo, que envolveu a criação do Centro de Instrumentação e Registro Sísmico (Cires) em 1986 e a operação do sistema a partir de 1991, passou por significativas expansões para se tornar mais eficiente apenas nos anos 2000.

Para Groot, um sistema de alerta precoce eficaz requer uma densa rede de estações sísmicas para detectar o movimento do solo e uma comunicação ágil para transmitir os dados. “Para ter um sistema robusto de alerta precoce de terremotos, você precisa de muitas estações sísmicas detectando o movimento do solo e uma rede de comunicação eficiente”, explicou.

A Vulnerabilidade Estrutural e a Necessidade de Conscientização

Além da infraestrutura tecnológica, a conscientização da população é crucial. De Groot enfatiza que mesmo com os melhores sistemas do mundo, a falta de conhecimento sobre como agir pode comprometer a eficácia dos alertas. Orientações simples, como “abaixe-se e segure-se”, precisam ser compreendidas e praticadas pela população para que os alertas realmente salvem vidas.

A questão da infraestrutura precária também é um fator agravante. “Se você está em um prédio mal construído, pode não haver tempo suficiente para reagir antes do colapso”, alertou Groot. Um estudo de 2017 já apontava um grau de vulnerabilidade sísmica “alta a muito alta” em mais de 600 casas populares em Caracas e arredores, áreas que foram severamente afetadas pelo recente tremor.

O Papel das Big Tech e a Perspectiva Pós-Terremoto

A solução temporária do Google, que utilizou sensores de celulares para detectar o tremor e enviar alertas, mostrou-se uma ferramenta útil, mas com sucesso limitado. “Esses alertas têm sucesso limitado, mas ainda não sabemos os detalhes exatos”, admitiu Groot, indicando a necessidade de mais informações sobre a precisão e alcance da tecnologia.

O recente terremoto na Venezuela, que já registrou centenas de mortos e milhares de feridos, com expectativas de aumento nos números, serve como um doloroso lembrete da necessidade de investimentos em prevenção e sistemas de alerta. A comparação com desastres como os do Haiti em 2010 e da Indonésia em 2004, onde os números totais de afetados levaram tempo para serem computados, reforça a ideia de que a recuperação e a reestruturação para evitar futuras tragédias serão um longo processo.

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