Xi Jinping projeta força no BRICS e mira diálogo com Trump em Washington, com agenda chinesa em foco
Em sua volta à cúpula do BRICS em Nova Délhi, o presidente chinês Xi Jinping adotou um discurso firme, enviando uma mensagem clara de desafio aos Estados Unidos. Ele criticou a política de “pátio pequeno, cercas altas”, referindo-se às restrições tecnológicas impostas por Washington, e afirmou que tal estratégia acaba por prejudicar quem a implementa.
Essa postura não apenas ressalta a resiliência e o desenvolvimento da China, mas também sinaliza um movimento estratégico para preparar o terreno para um encontro crucial com o ex-presidente americano Donald Trump, que deve ocorrer em breve em Washington. A cúpula, embora sediada na Índia, serviu como plataforma para os interesses geopolíticos chineses.
O BRICS, composto por economias que compartilham insatisfações com as políticas americanas, mas que preferem não confrontar diretamente os EUA, tornou-se um palco para a China expandir sua influência. Pequim, que assumirá a presidência do bloco no próximo ano, busca consolidar o BRICS como um contraponto à narrativa ocidental, sem se posicionar explicitamente como anti-americano. As informações são do conteúdo divulgado sobre o evento.
BRICS avança pautas de interesse chinês e apoia Irã e Etiópia na OMC
Apesar de não ter sido o foco principal das manchetes, o BRICS concretizou ações importantes, como o apoio às candidaturas de Irã e Etiópia à Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa iniciativa é vista como uma forma de fortalecer a posição de países que buscam contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos, especialmente no caso de Teerã.
O bloco também endossou um mecanismo para antecipação de recebíveis para pequenas exportadoras, uma bolsa de grãos e uma rede de saúde mental em Bengaluru. Essas medidas demonstram um esforço para criar alternativas econômicas e de cooperação entre os membros do BRICS.
Declaração final do BRICS omite guerra na Ucrânia e critica protecionismo
A declaração final da cúpula do BRICS chamou a atenção pela ausência de menções à guerra na Ucrânia. O documento criticou o protecionismo comercial, sem nomear diretamente os países responsáveis, e destacou a sub-representação feminina em cargos de liderança global, como a secretaria-geral da ONU, embora sem apresentar cobranças ou promessas específicas.
Um ponto de destaque na declaração foi o parágrafo sobre minerais críticos, que defende cadeias de suprimentos diversificadas e resilientes, ao mesmo tempo em que reafirma o direito soberano dos países sobre seus recursos. Essa questão, embora possa ser usada para criticar tarifas americanas, também recai sobre a própria China, que domina o refino de terras raras e outros minerais essenciais.
Encontro com Trump pode redefinir acordos sobre minerais críticos e tarifas
A expectativa é que o parágrafo sobre minerais críticos se torne meramente decorativo após o encontro entre Xi Jinping e Donald Trump. Segundo informações da Bloomberg, Washington adiou a divulgação de um relatório que pode recomendar tarifas adicionais sobre produtos chineses, e Trump busca licenças de exportação de terras raras, similar ao acordo agrícola firmado em maio.
Se um acordo for fechado, a China poderá garantir vantagens comerciais sobre minerais críticos logo após se comprometer com a diversificação das cadeias de suprimento. Isso colocaria os outros países do BRICS em uma posição de seguimento, enquanto a China consolida seus interesses estratégicos no cenário global, preparando-se para negociações futuras com os Estados Unidos.





