Zelenski propõe trégua de ataques energéticos à Rússia, em meio a ofensivas mútuas e vítimas civis
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, fez uma proposta à Rússia nesta segunda-feira (6) para estabelecer uma trégua em relação aos ataques mútuos contra a infraestrutura de energia de ambos os países. Essa escalada de ofensivas nesse setor tem sido observada desde o final do ano passado.
“Se a Rússia estiver disposta a deixar de atacar nosso setor energético, nós estaremos dispostos a responder da mesma maneira”, declarou Zelenski em um discurso. Ele também informou que a proposta foi comunicada ao Kremlin por intermédio dos Estados Unidos, que atuam como mediadores no conflito.
A Rússia ainda não se pronunciou oficialmente sobre a declaração do líder ucraniano. Na semana anterior, Zelenski já havia mencionado uma proposta similar de cessar-fogo para o período da Páscoa Ortodoxa, que neste ano cai no próximo domingo, dia 12.
Naquela ocasião, o Kremlin limitou-se a comentar que busca um acordo de paz mais amplo. Divergências sobre o formato e os termos de qualquer pausa nos conflitos persistem, e Zelenski busca reavivar as discussões sobre a guerra na Europa Oriental, que se estende enquanto o mundo direciona sua atenção para o crescente e complexo conflito no Irã.
Ataque russo em Odessa deixa mortos e milhares sem energia
Nesta mesma segunda-feira, a Rússia bombardeou a cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, resultando na morte de pelo menos três pessoas, incluindo uma criança de dois anos. Conforme Zelenski, outras 16 pessoas ficaram feridas.
O ataque russo causou a formação de uma cratera em um prédio residencial, que entrou em combustão. Além disso, milhares de residências ficaram sem fornecimento de energia elétrica, de acordo com informações da agência AFP.
A DTEK, principal empresa privada de energia da Ucrânia, confirmou que mais de 16 mil pessoas perderam o acesso à eletricidade após o bombardeio.
Ucrânia responde com drones e Rússia intensifica ataques
Segundo Zelenski, a Rússia empregou mais de 140 drones durante a noite, atingindo instalações energéticas nas regiões de Tchernihiv, Sumi, Kharkiv e Dnipro.
Na Rússia, um ataque ucraniano com drones em Novorossiisk feriu oito pessoas, incluindo duas crianças, de acordo com o governador regional, Veniamin Kondratiev. As autoridades divulgaram um vídeo mostrando um edifício residencial atingido, com janelas e varandas dos andares superiores destruídas.
Guerra de drones e a evolução das táticas militares
Desde o início da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, Moscou tem realizado ataques quase diários com drones e mísseis contra o território ucraniano. Kiev responde com menor frequência, mas também de forma periódica.
Os mais de quatro anos de conflito impulsionaram o desenvolvimento de tecnologias militares, com destaque para a produção em larga escala de drones de combate.
Esses armamentos, controlados remotamente e com custo inferior aos mísseis, mas com alta capacidade de causar danos, estão transformando a natureza da guerra. Eles impactam tanto a linha de frente quanto os territórios dos envolvidos no conflito, permitindo que atores de menor porte atinjam alvos sensíveis de grandes potências, criando um elemento de assimetria.
Essa é a estratégia atual da Ucrânia, que tem como alvo cidades importantes e a infraestrutura energética da Rússia, especialmente a envolvida na produção de petróleo russo, um produto vital para a economia do país invasor.





