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EUA Redirecionam US$ 52 Milhões de Verba Militar da Europa e Oriente Médio para América Latina com Foco em “América para os Americanos”

EUA anunciam realocação de verba militar para América Latina, priorizando a Doutrina Monroe

O Departamento de Estado americano informou o Congresso sobre os planos do governo de Donald Trump de redirecionar US$ 52 milhões (aproximadamente R$ 268 milhões) em verbas militares para países da América Latina. Essa iniciativa visa fortalecer a presença dos EUA na região, combatendo o que o governo define como “narcoterrorismo” e a influência de adversários.

Os recursos, que sairão de nações como Tunísia, Eslováquia, Macedônia do Norte e Iraque, serão realocados em países latino-americanos como Panamá, Peru, Equador e Colômbia. Conforme relatado por um funcionário do Departamento de Estado, o investimento abrangerá equipamentos, treinamento e assistência técnica, alinhando-se à política de “América para os Americanos”.

A medida reflete uma mudança nas prioridades internacionais dos Estados Unidos sob a administração Trump, com um foco renovado no Hemisfério Ocidental. A Casa Branca citou a Doutrina Monroe, uma política do século 19, para reafirmar a preeminência americana na região, após anos de o que consideram negligência.

Redirecionamento de verbas e o contexto da Doutrina Monroe

A decisão de realocar fundos militares para a América Latina e o direcionamento de atenção para a Venezuela ocorrem dias após o Secretário de Estado visitar Peru, Colômbia e Equador, anunciando cooperação militar. Embora o montante de US$ 52 milhões não seja expressivo em comparação com o orçamento anual do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (US$ 6,16 bilhões em 2026), a iniciativa sinaliza uma clara síntese das prioridades internacionais de Trump.

Essa estratégia é descrita como a aplicação da política de “América para os Americanos”, presente na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA. A Casa Branca declarou a intenção de “restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental”, citando a Doutrina Monroe. Essa política, datada do século 19, tem guiado a agenda internacional de Washington.

Críticas de Trump aos gastos militares e a nova abordagem

As críticas de Donald Trump aos gastos militares dos EUA, especialmente em defesa de outros países, são de longa data. Desde 1987, como empresário, ele questionava por que os EUA deveriam arcar com a defesa de nações capazes de se protegerem sozinhas. Ao retornar à Casa Branca, Trump tem pressionado aliados europeus a aumentarem seus investimentos em defesa, argumentando que os gastos americanos na OTAN são desproporcionais.

Neste novo cenário, o termo “narcoterrorismo” ganhou destaque na gestão americana, apesar de especialistas considerarem a denominação inadequada para grupos criminosos latino-americanos. Os EUA removeram a Venezuela da lista de principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas pela primeira vez em mais de 20 anos, após uma intervenção para capturar o ditador Nicolás Maduro.

Venezuela fora da lista de drogas, mas outros países permanecem

Trump celebrou a remoção da Venezuela da lista de países produtores ou de trânsito de drogas, atribuindo o feito à “prisão e destituição” de Nicolás Maduro e à cooperação com o “governo interino”. “Já estamos vendo os resultados da crescente cooperação com o governo interino do país contra os cartéis”, afirmou Trump, segundo nota do Departamento de Estado.

No entanto, da América Latina, Colômbia, Bolívia, El Salvador, Equador, México, Guatemala, Costa Rica, República Dominicana, Honduras, Haiti, Nicarágua, Panamá e Peru continuam na lista. A Colômbia, por exemplo, foi mantida na lista devido à “incompetência e ao caos produzidos pelo governo de extrema esquerda anterior”, segundo Trump, que elogiou o novo presidente eleito por prometer uma campanha agressiva contra o cultivo de coca.

Aliados de direita na região e o “Escudo das Américas”

O presidente americano também saudou o compromisso da nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, em trabalhar com os EUA para desmantelar o crime organizado. Fujimori anunciou a entrada do Peru no “Escudo das Américas”, uma iniciativa de Trump que reúne países governados pela direita na região sob o pretexto de combater o narcotrático.

Argentina, Equador e El Salvador também fazem parte dessa coalizão, sendo citados por Trump como “três dos maiores aliados dos EUA em nosso hemisfério”. O presidente americano os elogiou pela “liderança, determinação e sucesso na luta contra o narcoterrorismo”, reforçando a aproximação com governos alinhados à sua visão.

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