Michelle Bachelet, apoiada pelo Brasil, anuncia retirada de candidatura à ONU em meio a tensões geopolíticas
A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, comunicou neste sábado (19) sua decisão de não prosseguir com a candidatura à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A postulante, que recebia o apoio do Brasil, enfrentou desafios significativos na corrida pela liderança da organização internacional, conforme informações divulgadas em seu perfil no Instagram.
Em um vídeo emocionado, Bachelet expressou que sua candidatura surgiu em um momento de fortes ventos contrários a princípios fundamentais como o multilateralismo, o direito internacional e os direitos humanos. Ela lamentou que alguns desses pilares estejam em perigo, mas reafirmou sua convicção na importância de defender tais valores.
A retirada da candidatura de Michelle Bachelet representa um revés para o Brasil, que apostava na ex-presidente chilena para um cargo de destaque na ONU. A decisão foi comunicada após duas rodadas de consulta no Conselho de Segurança da ONU, onde a candidata obteve resultados insatisfatórios, indicando dificuldades em obter o consenso necessário para a aprovação.
Desafios e Vetos Potenciais na Disputa pela ONU
Fontes próximas ao processo de seleção indicam que a candidatura de Michelle Bachelet poderia ter esbarrado em vetos de potências como os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, e a China. A relação com a China foi particularmente complexa, devido a um relatório produzido por Bachelet que apontava graves violações de direitos humanos contra a minoria uigur. Esse fato teria gerado forte resistência por parte de Pequim.
Em sua manifestação, Bachelet mencionou que sua candidatura remava contra a corrente desde o início. Ela destacou que, mesmo diante das adversidades, não se arrepende de ter assumido o desafio, pois acredita ter contribuído para o debate global sobre a importância de ter uma mulher latino-americana na liderança da ONU, uma pessoa independente e leal aos princípios da Carta da organização.
Desempenho Insatisfatório no Conselho de Segurança
A mais recente pesquisa secreta realizada entre os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, que inclui membros permanentes e não permanentes, mostrou um cenário desfavorável para Bachelet. Ela obteve apenas um voto de apoio e três votos de ‘sem opinião’, enquanto os outros 11 membros expressaram descontentamento com sua candidatura. A aprovação no Conselho de Segurança é crucial, pois exige a ausência de veto dos membros permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China).
Além do Brasil, o México também manifestou apoio à candidatura da ex-presidente chilena. No entanto, nenhum dos dois países faz parte do Conselho de Segurança, o que limita sua influência direta no processo decisório. O governo chileno, por sua vez, comunicou ter retirado seu apoio a Bachelet em março e não mais apoiou nenhum candidato.
Novas Candidatas Lideram a Corrida pela ONU
Com a saída de Michelle Bachelet, a corrida pela Secretaria-Geral da ONU agora conta com outras duas mulheres como favoritas: Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e chefe da Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento da ONU, e Carolyn Rodrigues Birkett, representante da Guiana na instituição. A disputa continua acirrada, com um cenário internacional ainda marcado por intensas negociações diplomáticas.
Michelle Bachelet agradeceu o apoio recebido, especialmente dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum, ressaltando a generosidade e convicção com que foi apoiada. Ela afirmou que continuará ativa na tarefa de construir um mundo com mais paz, segurança, desenvolvimento sustentável e respeito aos direitos humanos.





