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Lula na ONU: Discurso pode ter recado para Trump e tensões com EUA em foco

Lula na ONU: Discurso pode ter recado para Trump e tensões com EUA em foco

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursará nesta terça-feira na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A expectativa gira em torno de um possível encontro informal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e das mensagens que o líder brasileiro pretende enviar, tanto para o cenário internacional quanto para o doméstico, especialmente em ano eleitoral.

A agenda oficial não prevê uma reunião bilateral entre Lula e Trump. Contudo, a tradição de o Brasil abrir os discursos na ONU, seguido pelo presidente do país anfitrião, cria a possibilidade de interações nos corredores do evento. Lula já expressou o desejo de conversar com Trump e pedir que ele não interfira nas eleições brasileiras.

A fala de Lula deve priorizar a soberania nacional, a defesa da democracia e o multilateralismo, com críticas à estrutura atual da ONU. Temas como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a situação em Gaza e o combate ao crime organizado, com ênfase na cooperação internacional e respeito à soberania, também devem ser abordados. A informação é da BBC News Brasil.

Soberania e democracia em pauta, com olhar para as eleições

Na sua fala na ONU, Lula deve destacar a soberania nacional e a defesa da democracia, segundo informações obtidas pela BBC News Brasil. O presidente também pretende defender o multilateralismo e propor mudanças na estrutura da ONU, além de abordar conflitos internacionais e a crise em Gaza. A luta contra o crime organizado, com foco na cooperação internacional e no respeito à soberania nacional, também ganhará espaço.

Essa abordagem ganha contornos sensíveis devido à classificação de facções brasileiras como terroristas pelo governo Trump, o que eleva a preocupação do Planalto com possíveis interferências americanas. A intenção é defender a autonomia brasileira sem criar um confronto direto que prejudique as relações com Washington, um cálculo delicado a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras.

Analistas, como Andreza Aruska de Souza Santos, da King’s College London, apontam que um confronto direto com Trump traria poucos benefícios diplomáticos ao Brasil. Ao mesmo tempo, o contexto eleitoral doméstico tem um peso significativo no discurso. “Um confronto direto com Trump teria pouco benefício diplomático para o Brasil. Ao mesmo tempo, Lula chega à ONU a poucos dias das eleições, então o público doméstico tem um peso grande neste discurso. Eu esperaria uma defesa bastante clara da soberania e da democracia, mas não necessariamente com uma fala nominal contra Washington”, afirma a especialista.

Diálogo informal e estratégias alternativas para aproximar EUA e Brasil

A possibilidade de um encontro informal entre Lula e Trump nos bastidores da ONU é vista como importante para sinalizar a manutenção dos canais de diálogo abertos, mesmo que sem resultados concretos imediatos. Fontes do Planalto indicam que, se houver espaço, uma conversa mais longa não seria impedida.

O governo brasileiro tem buscado caminhos alternativos para se aproximar do governo americano, diante de entraves na interlocução tradicional. Segundo a BBC News Brasil, uma das estratégias envolve empresários com acesso direto a Trump, como Joesley Batista e André Esteves, embora o governo evite identificar publicamente os envolvidos.

Sanções contra ministros do STF e o risco de novas tensões

Um ponto de incerteza é a possibilidade de o governo Trump anunciar novas sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a visita de Lula. Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo estiveram em Washington pressionando por sanções contra Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, conforme noticiado pela BBC News Brasil.

Em julho do ano passado, Alexandre de Moraes foi alvo de sanções financeiras e suspensão de vistos com base na Lei Global Magnitsky. Outros ministros e servidores públicos ligados a programas como o Mais Médicos também já foram afetados por medidas similares. Há expectativa no governo brasileiro de que novas punições possam ocorrer, com foco em Alexandre de Moraes.

A especialista Andreza Aruska de Souza Santos avalia que uma nova ofensiva americana contra autoridades brasileiras pode gerar um efeito contrário, fortalecendo o discurso de soberania nacional de Lula e oferecendo a ele um enquadramento politicamente útil. No entanto, ela ressalta que a pressão de Trump em temas como segurança pública e crime organizado toca em áreas onde o governo Lula também enfrenta críticas domésticas, o que pode recolocar temas desfavoráveis na agenda.

Tarifas comerciais: uma nova rodada de negociações em breve

Mesmo sem uma conversa direta entre os presidentes, a negociação sobre tarifas comerciais entre Brasil e Estados Unidos terá um novo capítulo nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, Wisconsin. Ministros do comércio e indústria do G20 se reunirão, e o ministro brasileiro Mário Elias Rosa e o chanceler Mauro Vieira devem encontrar o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Esta será a primeira reunião presencial entre os responsáveis pelas negociações desde a retomada formal das conversas. Embora não se espere uma reversão ampla das tarifas, a expectativa brasileira é conseguir aumentar a lista de produtos isentos de sobretaxas, o que seria interpretado como um sinal de que o diálogo com Trump está começando a gerar resultados, segundo fontes do governo brasileiro ouvidas pela BBC News Brasil.

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