Trump busca reviver ferramenta da Guerra Fria para impor controle de segurança nas Américas, mirando grupos criminosos.
O governo de Donald Trump resgatou um antigo instrumento da Guerra Fria, o Tratado do Rio, em uma nova estratégia para consolidar o que considera o direito dos Estados Unidos de ditar as regras de segurança nas Américas. A medida visa classificar grupos criminosos como o PCC e o Comando Vermelho como terroristas, buscando apoio internacional para essa designação.
Diplomatas americanos utilizaram o Tratado do Rio como base legal para a classificação de terrorista atribuída a organizações como o PCC e o Comando Vermelho. Essa ação foi endossada por outros 14 países latino-americanos, sinalizando uma articulação regional sob a liderança dos EUA.
O Tratado do Rio, assinado em 1947, precedeu a criação da Otan e estabelece a assistência mútua em casos de agressão ou ameaça. Embora tenha tido sucesso em isolar Cuba em 1962, seu uso posterior gerou resistência e a percepção de que servia apenas aos interesses americanos. Conforme informação divulgada pelo fonte_conteudo1, desde então, o tratado praticamente desapareceu da cena internacional, com exceção de disputas pontuais e simbólicas.
O Legado do Tratado do Rio e suas Controvérsias
Assinado originalmente por 19 países, o Tratado do Rio de 1947 foi concebido como um mecanismo de defesa mútua no hemisfério ocidental. Sua inspiração remonta ao contexto da Guerra Fria, com o objetivo de conter influências externas. A invocação mais notável ocorreu em 1962, durante a Crise dos Mísseis, quando os EUA conseguiram apoio para a exclusão de Cuba das organizações interamericanas.
Posteriormente, o tratado foi utilizado para justificar intervenções militares americanas em países como Nicarágua e Panamá. Tais ações geraram forte resistência entre os membros, alimentando a desconfiança de que o acordo servia primordialmente aos interesses de Washington, e não a uma cooperação genuína entre as nações do continente.
Um dos episódios mais marcantes de sua ineficácia ocorreu em 1982, durante a Guerra das Malvinas. A Argentina, então sob regime militar, buscou apoio regional através do tratado para sua disputa com o Reino Unido. Os Estados Unidos se opuseram, impedindo qualquer assistência, e a União Soviética, vendo uma oportunidade de expandir sua influência, ofereceu ajuda aos argentinos, que foi rejeitada pelo governo militar.
O ‘Escudo das Américas’ e a Nova Doutrina Monroe
A atual iniciativa americana, apelidada de ‘Otan da América Latina’, difere da aliança transatlântica por não constituir uma organização militar formal. Contudo, o Tratado do Rio prevê a tomada de decisões por maioria qualificada, facilitando a ação conjunta. Os 15 países que endossaram a classificação de terroristas integram o ‘Escudo das Américas’, uma nova iniciativa lançada neste ano.
O ‘Escudo das Américas’ visa unir governos de direita com viés populista em torno de uma agenda de segurança comum. Essa política está alinhada com a Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que reafirma a Doutrina Monroe de 1823, defendendo o controle americano sobre a segurança hemisférica. O foco principal tem sido o combate ao tráfico de drogas, equiparado por Trump a ameaças terroristas como o Estado Islâmico.
Impacto Político e Eleitoral na América Latina
A reativação do Tratado do Rio e a classificação de facções brasileiras como terroristas ocorrem em um momento sensível para a política latino-americana. No Brasil, o governo de esquerda desconfia que a pressão sobre a área de segurança possa beneficiar a candidatura rival nas eleições presidenciais. Trump, por sua vez, busca desviar a atenção de seus próprios desafios internos, como o fracasso na campanha contra o Irã.
A estratégia americana de impor sua visão de segurança no hemisfério gera debates sobre soberania e autonomia. Enquanto os EUA buscam reforçar seu domínio, outros países da região tentam equilibrar a cooperação com a preservação de seus interesses nacionais, em um cenário geopolítico complexo e em constante transformação.





