Venda de Armas para Taiwan: Trump Pode Usar o Pacote de US$ 14 Bilhões como Moeda de Troca com Xi Jinping
O aguardado encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, promete ser um palco de intensas negociações, onde a venda de armas americanas para Taiwan pode se tornar um trunfo crucial nas mãos de ambos os líderes. A China, que considera a ilha autogovernada como parte de seu território, busca ativamente impedir que os Estados Unidos forneçam armamentos a Taipé, uma ação que Pequim vê como uma provocação e um risco à estabilidade regional.
A possibilidade de suspensão ou adiamento de um pacote de vendas de armas avaliado em US$ 14 bilhões (aproximadamente R$ 72 bilhões) para Taiwan está no centro das atenções. Este movimento estratégico, se concretizado, representaria uma vitória para Xi Jinping, que tem em Taiwan um ponto sensível em suas relações com Washington. A China reivindica a ilha como sua e usa sua força militar para intimidar Taipé.
O presidente americano, por sua vez, já indicou que vê esse pacote de armamentos como uma valiosa ferramenta de barganha. A gestão Trump tem adiado a aprovação de mísseis, sistemas de defesa aérea e armamentos antidrones, uma decisão que tem sido interpretada como uma concessão a Pequim. Conforme informações divulgadas pelo The New York Times, o adiamento das vendas de armas é visto por especialistas como uma estratégia sofisticada de Pequim para reduzir o apoio americano a Taiwan.
O Jogo de Xadrez entre EUA e China por Taiwan
Para Xi Jinping, o objetivo principal em Washington é convencer Donald Trump a manter a suspensão dos negócios de armamentos. A China considera que a venda de armas a Taiwan pode levar a relações desastrosas entre os dois países, chegando a um ponto de conflito. Xin Qiang, diretor do Centro de Estudos sobre Taiwan da Universidade Fudan, em Xangai, afirma que a questão de Taipé é a única que poderia levar ao colapso das relações ou a um conflito, e que a continuidade do adiamento das vendas de armas é crucial.
Donald Trump, ao descrever o plano de venda de armas como uma fonte de poder de barganha, demonstrou sua intenção de usar a questão como moeda de troca. Após sua cúpula com Xi em Pequim, Trump declarou: “Francamente, é uma ótima moeda de troca para nós”. Desde então, seu governo tem evitado menções públicas a Taiwan, um sinal de cautela que agrada a Pequim.
A disposição de Trump em adiar as vendas de armas já é vista como um ganho para a China. Em Washington, Xi pode sugerir consequências caso Trump aprove a venda, como restrições às exportações chinesas de terras raras, essenciais para a indústria de tecnologia. Outra possível ameaça seria a não participação de Xi na cúpula do G20 em dezembro.
As Implicações para a Defesa de Taiwan
O adiamento das vendas de armas representa um desafio político para o presidente de Taiwan, Lai Ching-te. Ele tem defendido o aumento dos gastos militares e a aquisição de armamentos americanos, alinhando-se às exigências de Trump para que parceiros invistam mais em sua defesa. A demora de Trump pode dificultar a aprovação dessa agenda por Lai.
Especialistas alertam que atrasos prolongados podem prejudicar os objetivos militares de Taiwan, empurrando a ilha para o fim da fila de aquisição de equipamentos militares escassos. Ryan Hass, pesquisador sênior da Brookings Institution, explica que a China tenta prolongar o processo para que seu avanço militar supere a capacidade de aquisição de Taiwan, mantendo o equilíbrio de poder a seu favor.
Alguns especialistas preveem que Trump continuará adiando a aprovação de vendas de armas a Taiwan pelo menos até o final do ano. No entanto, outros sugerem que a autorização para certos armamentos pode ocorrer antes. Membros do Congresso americano, de ambos os partidos, provavelmente aumentarão a pressão sobre o governo para aprovar as vendas propostas após a cúpula.
A Complexa Relação de Taiwan com a Casa Branca
A questão das armas evidencia as dificuldades de Taiwan em manter Trump ao seu lado. Sem relações diplomáticas formais com Washington e diante do estilo imprevisível de Trump, a ilha enfrenta desafios para compreender e influenciar as decisões americanas. Laura Rosenberger, ex-integrante do governo Biden, aponta que a centralização do poder na gestão Trump prejudica a capacidade de Taiwan de moldar o processo.
No primeiro mandato, Trump aprovou cerca de US$ 18 bilhões em vendas de armas a Taiwan. Contudo, em seu segundo mandato, ele tem focado em relações pragmáticas com a China, recuando na guerra comercial após Pequim restringir exportações de terras raras. Taipé tem buscado manter sua influência cultivando relações próximas a Trump e contratando lobistas.
Apesar das incertezas, a relação de segurança entre Taiwan e a Casa Branca permanece sólida, com laços de trabalho entre órgãos governamentais estáveis e até aprofundados. Assessores americanos estiveram mais presentes nos exercícios militares anuais de Taiwan, e o ministro da Defesa taiwanês, Wellington Koo, mencionou o aumento de “professores americanos de inglês”, um eufemismo para assessores militares que irrita Pequim.
Chen Ming-chi, vice-chanceler taiwanês, expressou confiança de que os amigos no governo Trump entendem a importância das vendas de armas para a defesa de Taipé. Além disso, a ilha se tornou um parceiro comercial ainda mais importante para os EUA, ultrapassando a China como a terceira maior origem de importações americanas em 2023, principalmente de semicondutores e equipamentos de alta tecnologia, o que Taiwan espera consolidar o apoio americano.





