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Manifestantes em Caracas pedem volta de María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, e questionam restrições de entrada na Venezuela

Centenas clamam pelo retorno de María Corina Machado à Venezuela em protesto em Caracas

Em meio a gritos de “María Corina, venha, estamos esperando por você”, centenas de manifestantes se reuniram em Caracas para expressar o desejo pelo retorno da líder opositora e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado. A demonstração de apoio ocorre após a nova tentativa frustrada de Machado de ingressar em seu país natal.

A opositora, que se encontra em exílio no Panamá, teve seu retorno impedido na última terça-feira (22), conforme relatado por seu assessor, Pedro Urruchurtu. A tentativa coincidiu com a reunião da líder interina, Delcy Rodríguez, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU.

O incidente gerou forte repercussão entre os participantes do protesto, que questionaram as restrições impostas à entrada de Machado. A situação levanta dúvidas sobre as motivações por trás da proibição, especialmente considerando a visibilidade internacional de Rodríguez. Conforme informações divulgadas, os manifestantes expressaram sua frustração com a situação.

Divergências sobre o veto ao retorno de Machado

O comerciante Douglas Mata, de 65 anos, expressou incredulidade com o impedimento da entrada de Machado. “Não é possível que, enquanto Delcy viaja pelo mundo, não deixem Corina entrar aqui na Venezuela”, questionou. Ele complementou, “Não é possível que recebam a Delcy como uma rainha nos EUA e não liberem Corina para entrar aqui em seu próprio país.”.

Embora as autoridades americanas neguem qualquer veto, analistas apontam para uma possível objeção de Washington ao retorno da opositora. Isso se deve, segundo eles, às declarações de satisfação de Donald Trump com o trabalho de Delcy Rodríguez como líder interina.

Trajetória de María Corina Machado e exigências dos manifestantes

María Corina Machado deixou a clandestinidade em dezembro, após viajar à Noruega para receber o Prêmio Nobel da Paz. Após uma breve passagem pelos EUA, estabeleceu sua residência na Cidade do Panamá. A população venezuelana demonstra grande anseio por seu retorno.

“A Venezuela espera por ela, não apenas Caracas, mas toda a Venezuela”, afirmou Josefina Guerra, representante da coalizão sindical nacional. Durante a marcha, os manifestantes empunhavam cartazes com mensagens como “María Corina, venha, seu povo está pronto” e “A Venezuela espera por você em breve”.

Silvia Nieto, militante do partido Vente Venezuela, partido de Machado, exaltou a líder como “uma vencedora do Nobel da Paz, uma líder, uma mulher guerreira e corajosa que sempre apostou na liberdade da Venezuela”.

Contexto político e negociações em andamento

Os manifestantes também aproveitaram a ocasião para exigir a convocação de novas eleições, após a queda de Nicolás Maduro em uma operação americana em janeiro. Machado, crítica ferrenha do chavismo, liderou a campanha da oposição nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024. Essas eleições resultaram na proclamação de Maduro para um terceiro mandato consecutivo, desencadeando protestos com 28 mortos e mais de 2.400 detidos.

Após ser declarada inelegível, María Corina Machado apoiou a candidatura do diplomata Edmundo González Urrutia, que se encontra exilado na Espanha. Atualmente, uma segunda rodada de negociações entre um setor da oposição e o regime interino está em curso em Caracas, visando uma transição política. Machado não participa diretamente, mas declarou que não se opõe ao diálogo.

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