Parlamentares americanos expressam profunda preocupação com ações do governo Trump em relação ao Brasil, citando interferência eleitoral e pressão diplomática.
Um grupo de 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos endereçou uma carta ao Secretário de Estado, Marco Rubio, manifestando forte oposição a uma suposta interferência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras. A missiva, enviada nesta quinta-feira (24), acusa a administração Trump de orquestrar um plano para minar a relação bilateral e fragilizar a democracia no Brasil.
Os democratas alertam para um “esforço coordenado do governo [de Donald Trump] para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas da eleição presidencial de outubro de 2026”. A carta detalha uma série de medidas que, segundo os signatários, visam garantir a vitória de Flávio Bolsonaro, candidato alinhado politicamente com Trump.
Entre as ações apontadas estão a imposição de tarifas a produtos brasileiros, que os democratas sugerem ter sido uma manobra para evitar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado, pai de Flávio Bolsonaro e que foi sentenciado a mais de 27 anos de prisão, cumprindo atualmente prisão domiciliar. A carta também critica a nomeação de Darren Beattie, descrito como um “conhecido extremista de direita e supremacista branco”, para um cargo sênior de assessoramento sobre o Brasil.
Ações questionadas e comparações com o governo Biden
Os parlamentares democratas contrastam a postura atual com o comportamento da gestão de Joe Biden nas eleições brasileiras de 2022, que incluiu apoio ao sistema eleitoral e reconhecimento dos resultados. Eles afirmam que, ao invés de defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estariam atuando como “agentes de interferência e desestabilização”, exercendo pressão diplomática, econômica e política que pode enfraquecer as instituições democráticas brasileiras.
A carta ressalta que essas ações “refletem um amplo e profundamente preocupante padrão de interferência da administração Trump nos recentes processos eleitorais na América Latina”. Exemplos citados incluem as eleições na Colômbia, Honduras e Argentina, governada por Javier Milei.
Pedidos de explicação e compromissos futuros
Os signatários da carta exigem esclarecimentos sobre diversas medidas adotadas pelo governo dos EUA em relação ao Brasil. Entre elas, destacam-se a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a classificação das facções criminosas Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas, e a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
Adicionalmente, os parlamentares solicitam um compromisso formal do governo americano em respeitar o processo eleitoral brasileiro e reconhecer o resultado das urnas, independentemente do vencedor. Pedem ainda a manutenção de “relações diplomáticas normais” com o futuro presidente eleito, garantindo a estabilidade da parceria estratégica entre os dois países.
Contexto internacional e defesa da soberania
As preocupações expressas na carta ecoam discursos recentes de líderes internacionais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua fala na Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula defendeu a soberania dos países e criticou “a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos”, classificando tais gestos como “anacrônicos”, e citando exemplos recentes na Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.




