A Assembleia Geral da ONU: Mais Símbolos do que Anúncios e o Brasil abrindo os trabalhos
A Assembleia Geral da ONU, um evento crucial para a diplomacia mundial, funciona mais como um palco de símbolos e recados do que de grandes novidades. Em meio a discursos de 193 países, eventos paralelos e reuniões bilaterais, o que acontece em Nova York reflete tensões globais e agendas domésticas.
Representantes de nações com relações complexas circulam pelos mesmos corredores, utilizando a tribuna para enviar mensagens diretas e indiretas. Um exemplo marcante foi a saída de delegações críticas a Israel, incluindo a do Brasil, antes do discurso do premiê Binyamin Netanyahu, que as chamou de covardes.
Conforme informação divulgada pela newsletter Lá Fora, o presidente Lula abriu o debate geral, tradição brasileira na ONU. Em sua décima participação, o líder brasileiro mesclou temas internacionais e domésticos, enfatizando a soberania do Brasil e enviando recados claros, inclusive aos Estados Unidos.
Lula e a Soberania Brasileira em Nova York
Lula destacou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, uma afirmação direcionada, em parte, aos Estados Unidos e que ressoa com sua plataforma de campanha. O presidente abordou questões como a crise em Gaza, as mudanças climáticas e até mesmo a escala de trabalho 6×1, buscando conexões com líderes trabalhistas globais.
Durante sua estadia em Nova York, Lula se reuniu com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, o senador Bernie Sanders e o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, fortalecendo laços diplomáticos e políticos.
Donald Trump na ONU: A Ordem Hegemônica em Xeque
Donald Trump marcou presença na Assembleia Geral com discursos que desafiam a ordem internacional estabelecida. Ele proferiu declarações contundentes sobre o Irã, Cuba e acordos econômicos, utilizando a tribuna para criticar e impor sua visão, em um tom que muitos interpretaram como um atropelo à Carta da ONU.
Trump também se reuniu com aliados da América Latina, promovendo a iniciativa “Escudo das Américas”, focada em segurança e combate a grupos criminosos, incluindo o PCC e o Comando Vermelho do Brasil. Ele prometeu apoio contínuo aos líderes que o apoiaram em eleições anteriores.
Venezuela e a Luta pela Democracia
Enquanto Nicolás Maduro enfrenta processos nos EUA, Delcy Rodríguez discursou na ONU, buscando projetar uma imagem de transição democrática na Venezuela. Ela elogiou Donald Trump e falou em eleições e reconstrução, mas a oposição, liderada por María Corina Machado, denuncia a continuidade do regime e a prisão de opositores.
Oriente Médio em Foco: Tensões e Negociações
A Assembleia Geral também foi palco de debates sobre o conflito em Gaza e as tensões no Oriente Médio. O discurso de Netanyahu foi marcado por críticas, enquanto o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou Israel e os EUA de terrorismo e defendeu a cooperação regional para a segurança.
A inteligência artificial foi outro tema em destaque em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, com líderes de empresas como OpenAI, Anthropic e Hugging Face discutindo a necessidade de regulamentação e cooperação global.
Acordos e Simbolismos: Groenlândia e a Relação EUA-China
Os EUA e a Dinamarca assinaram um acordo de segurança sobre a Groenlândia, que, apesar de alardeado como histórico, reafirma a soberania groenlandesa e permite a expansão de bases americanas. Paralelamente, a visita de Xi Jinping à Casa Branca, recebido por Trump, sinalizou um desejo por diálogo entre as potências, mesmo em meio a tensões comerciais e tecnológicas.





