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Elif Eralp: A “inquilina” turca que assusta a elite de Berlim com promessa de “teto para aluguel” e revoluciona a política alemã

Elif Eralp, a “inquilina” que promete revolucionar Berlim e desafia o establishment alemão com a bandeira do “teto para aluguel”.

Berlim está em polvorosa com a ascensão de Elif Eralp, a provável nova prefeita da capital alemã. Sua plataforma, centrada na ideia de “Mietendeckel”, ou “teto para aluguel”, ressoa profundamente com os berlinenses que lutam contra o aumento constante dos custos de moradia. Eralp, advogada e mãe, identifica-se diretamente com o medo dos inquilinos diante da especulação imobiliária.

O partido de Eralp, A Esquerda, obteve a maior votação em Berlim no último domingo, um feito notável em um cenário político alemão cada vez mais polarizado. Enquanto a extrema-direita da AfD também registrava ganhos em outras regiões, a mensagem de Eralp sobre moradia acessível conquistou um eleitorado jovem, urbano e progressista.

A proposta de Eralp, que visa estatizar mais de 200 mil apartamentos através de um mecanismo jurídico específico chamado “socialização”, tem gerado forte reação do mercado e de opositores políticos. A principal bandeira de sua campanha, a “socialização” de imóveis, é vista por alguns como “expropriação” ou “desapropriação”, termos que Eralp e seu partido refutam, defendendo a figura jurídica alemã que reconhece a função social da propriedade privada mediante indenização. Conforme informação divulgada pelo partido, a iniciativa custaria cerca de € 7 bilhões (R$ 40,9 bilhões), enquanto o mercado estima o valor em € 40 bilhões (R$ 235 bilhões).

A crise habitacional como motor da eleição em Berlim

A urgência da questão habitacional em Berlim é inegável. Atualmente, 85% dos domicílios na capital são alugados, um índice significativamente maior que em outras grandes cidades como Paris (61%) e São Paulo (29%). Nos últimos nove anos, o preço do metro quadrado disparou 78%, e a cidade necessita de 211 mil novas moradias até 2040 para atender à demanda crescente.

A moradia liderou a lista de “problemas urgentes” dos eleitores berlinenses neste ano, sendo citada duas vezes mais que o transporte. Apenas A Esquerda e os Verdes colocaram o tema como prioridade em suas campanhas, com o partido de Eralp, herdeiro do legado socialista da Alemanha Oriental, atraindo um expressivo voto jovem. Eralp conquistou 43% dos eleitores entre 16 e 24 anos e 48% entre 25 e 34 anos, demonstrando um forte apelo entre as novas gerações.

Um passado que molda o presente político

A trajetória de Elif Eralp é marcada por suas origens. Filha de socialistas que fugiram da Turquia nos anos 80, ela se vê como imigrante, assim como seus pais, segundo a estatística oficial alemã. Sua formação em direito e sua filiação ao partido em 2017, no mesmo dia em que a AfD entrou no Bundestag, moldaram sua visão política.

Eralp, que se expressou em turco durante boa parte de sua campanha, agradeceu em seu discurso de vitória a um integrante da Anistia Internacional por ter ajudado sua família. “Fizemos história, amigos”, declarou, ressaltando a importância de suas raízes e de sua identidade para sua atuação política.

Controvérsias e desafios na formação do governo

A ascensão de Eralp não vem sem controvérsias. A imprensa alemã tem levantado acusações de antissemitismo e até de proximidade com o crime organizado, alegações que Eralp classificou como “alarmismo”. Ela reafirmou o compromisso de que “os judeus devem se sentir seguros em nossa cidade”, mas reconheceu que algumas plataformas do partido podem gerar insegurança.

Entidades judaicas e intelectuais se dividem. Enquanto algumas pedem cautela aos partidos da coalizão para evitar a “normalização do antissemitismo”, outras denunciam a “instrumentalização” do termo, especialmente diante do avanço de partidos declaradamente fascistas. A situação é complexa em um país onde leis contra o antissemitismo são rigorosas desde 2024.

Negociações de coalizão e o futuro de Berlim

O partido de Eralp agora enfrenta negociações de coalizão com os Verdes e o SPD. Os parceiros cobram limites ao radicalismo, e a “socialização” de apartamentos continua sendo um ponto sensível para o SPD. Enquanto isso, Eralp, que mora em um apartamento alugado em Kreuzberg com o marido e dois filhos, lidera um movimento que busca transformar a política habitacional de Berlim, enfrentando a resistência do mercado e a polarização política.

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