Eduardo Bolsonaro dispara contra Itamaraty e promete “faxina”: “Vou estar na sua cola”
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro fez declarações contundentes sobre o futuro do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty. Ele prometeu uma profunda reorganização, que ele mesmo definiu como uma “faxina”, caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença as eleições presidenciais.
As falas de Eduardo aumentam os temores de uma perseguição interna no Itamaraty, uma verdadeira “caça às bruxas”, como alguns já temem. Ele afirmou ter “mapeado” todos os embaixadores e servidores que assumiram ou deixaram postos durante o governo Lula, com o objetivo de identificar aqueles que, segundo ele, “sabotaram” a gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Meu caro servidor do Itamaraty, se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na sua cola”, declarou Eduardo no vídeo. Ele ainda acrescentou que aqueles que não agiram contra o governo de seu pai “fará parte do time que vai resgatar a credibilidade do Itamaraty”. Conforme informação divulgada pelo próprio Eduardo Bolsonaro em suas redes sociais, essa iniciativa visa transformar o Itamaraty de um órgão que servia “corruptos e filhos de corruptos” para servir o povo brasileiro.
Retaliação contra embaixador na Espanha é prometida
O vídeo de Eduardo Bolsonaro iniciou com a exibição de um áudio que supostamente mostra um diplomata brasileiro oferecendo ajuda da embaixada do Brasil na Espanha para encontrar uma escola para os filhos de Lulinha, que se mudaria para Madri em 2025. Eduardo usou o episódio para contrastar com sua própria experiência ao se mudar para os Estados Unidos, onde, segundo ele, não teve o mesmo acolhimento.
“O dinheiro do brasileiro não é para proteger filho do presidente”, afirmou Eduardo, criticando o uso de recursos públicos para tal fim. Ele prometeu retaliação contra o embaixador do Brasil na Espanha. Na época em que o áudio foi gravado, o cargo era ocupado por Orlando Ribeiro, e o atual embaixador é Luiz Alberto Figueiredo. Eduardo declarou que, se Flávio Bolsonaro for eleito, “certamente um dos primeiros a sair do posto será o embaixador do Brasil na Espanha para dar o exemplo de que isso não acontecerá”.
Histórico de Eduardo Bolsonaro e planos de “reforma” no Itamaraty
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde março de 2025, quando deixou o Brasil alegando que o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia recolher seu passaporte. Ele licenciou-se de seu mandato de deputado por quatro meses e, ao final do período, permaneceu no exterior, acumulando faltas na Câmara. Em dezembro, perdeu seu mandato por excesso de ausências.
Em junho deste ano, o STF o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, por articular nos EUA medidas de pressão contra autoridades brasileiras para interferir no processo contra seu pai. Em setembro, também perdeu seu cargo de escrivão da Polícia Federal por abandono de cargo. Há uma avaliação, conforme reportagem da Folha, de que Eduardo sairia fortalecido em caso de vitória de Flávio, podendo até comandar o Itamaraty ou assumir a Embaixada do Brasil em Washington.
Plano de “reforma” inspirado em modelo americano
Eduardo alega que houve “sabotagem” ao governo Bolsonaro por parte de diplomatas, que teriam atuado para conter ou contornar diretrizes da política externa do governo. Ele citou uma reportagem que descreve uma rede clandestina de diplomatas que agiram contra o governo, o que ele considera uma “prevaricação”.
Marcos Degaut, braço direito de Eduardo em política externa, mencionou o plano de implementar o “Marco Rubio overhaul”, uma ampla reestruturação das carreiras no Itamaraty, inspirada em um modelo adotado nos Estados Unidos. Essa reforma visa focar os diplomatas em regiões e temas específicos, com metas de exportação e investimentos, além de reformular o sistema de promoções. O modelo americano levou à eliminação de vagas e à nomeação de indicados políticos em detrimento de funcionários de carreira.
Propostas de política externa divergem entre Lula e Flávio Bolsonaro
As propostas de política externa apresentadas por Lula e Flávio Bolsonaro à Justiça Eleitoral mostram visões distintas para o Brasil no cenário internacional. Enquanto Lula prioriza iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o combate à crise climática, além de fortalecer o Mercosul e aprofundar relações com a África e países de língua portuguesa, Flávio Bolsonaro foca em fortalecer o setor de inteligência para proteção da soberania, abertura comercial e adesão à OCDE.
Flávio Bolsonaro também propõe o encerramento gradual do IOF sobre o câmbio e a busca por soluções diplomáticas contra sanções de Estados Unidos, China e União Europeia. Já Lula defende a reforma da ONU, maior representatividade no Conselho de Segurança e aprofunda sua aproximação com o Brics e o Sul Global. As divergências refletem projetos de país com diferentes ênfases na inserção internacional do Brasil.





