Andy Burnham Reacende o Debate do Brexit e Coloca o Retorno do Reino Unido à UE em Pauta
A preferência de Andy Burnham pela Europa, antes um segredo mal guardado, foi oficialmente declarada. Em um discurso marcante no congresso trabalhista, o premiê britânico afirmou que o Brexit causou “mais mal do que bem” ao país. Ele se comprometeu a apresentar alternativas para a relação de longo prazo com o continente europeu, um movimento que surpreendeu até mesmo observadores atentos.
Em declarações posteriores à BBC, Burnham detalhou as opções: manter o status quo, aderir à união aduaneira, retornar ao mercado único, ou “ir até o fim”, o que implicaria solicitar a readmissão à União Europeia (UE). Embora não tenha especificado sua preferência, a simples menção a essas possibilidades representa uma guinada significativa.
Essa abertura contrasta com o manifesto do Partido Trabalhista para 2024, que prometia não reintegrar o Reino Unido ao mercado único, à união aduaneira ou à UE. A orientação anterior era de não alterar essa política durante a atual legislatura, embora um novo referendo não tenha sido descartado para o futuro. As informações foram divulgadas pela newsletter Euro Radar da Folha.
Reações Internacionais e Custos do Brexit
A fala de Burnham gerou repercussão imediata. Em Madri, o presidente francês, Emmanuel Macron, respondeu com um “welcome back”, mas alertou que não é possível escolher seletivamente os benefícios da UE. O premiê espanhol, Pedro Sánchez, classificou o Brexit como uma “enorme perda”.
No Reino Unido, os custos econômicos do Brexit são conhecidos. O Goldman Sachs calculou que, em dez anos, o PIB real do país ficou 6% abaixo da média de economias comparáveis. Do lado da UE, a ausência britânica removeu um contrapeso para França e Alemanha e um defensor do livre-comércio.
Pesquisas Indicam Mudança na Opinião Pública
Pesquisas de opinião no Reino Unido mostram uma maioria crescente considerando o Brexit um erro. Um levantamento da YouGov em junho indicou que 57% dos britânicos veem a saída como uma decisão errada, contra 30% que a consideram acertada. Outra pesquisa da Ipsos revelou que 52% dos entrevistados apoiam um pedido de readmissão à UE.
No entanto, o apoio à readmissão diminui quando as condições são detalhadas. O apoio cai para 35% se o Reino Unido tiver que voltar sem as isenções anteriores, como a não participação no euro e no espaço Schengen. Essa complexidade apresenta um desafio para Burnham.
A Aposta Política de Burnham
Como sétimo premiê britânico em dez anos, Burnham enfrenta pressões de diversos lados. A ascensão do Reform UK, partido de extrema direita, e a migração de eleitores para liberais-democratas e Verdes o colocam em uma posição delicada.
Discutir a Europa pode ser uma estratégia para recuperar votos perdidos. A bandeira europeia tem apelo popular, mas as dificuldades são imensas. Macron já deixou claro que não haverá um cardápio de escolhas, e a readmissão exigiria aprovação unânime dos 27 membros da UE.
Cúpula Reino Unido-UE e o Futuro da Relação
Uma cúpula entre o Reino Unido e a UE, onde Burnham pretende apresentar as opções de longo prazo, está prevista para 20 de novembro, segundo o Financial Times. Um esboço de acordo já estaria em discussão, com foco em intercâmbio de jovens, facilitação do comércio de alimentos e conexão dos mercados de carbono.
Enquanto isso, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, alertou sobre a “realidade que nos alcança” em relação aos juros da dívida francesa, que atingiram o maior nível desde a crise financeira de 2008. Esse cenário global de alta de juros, impulsionado por conflitos e choques no petróleo, adiciona uma camada de complexidade econômica à já delicada situação.





