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Israel: Netanyahu Acelera Expansão de Assentamentos na Cisjordânia Antes de Eleição, Gerando Tensão Internacional

Israel: Netanyahu Acelera Expansão de Assentamentos na Cisjordânia Antes de Eleição, Gerando Tensão Internacional

O governo de Benjamin Netanyahu intensifica a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, em uma estratégia vista por analistas como uma tentativa de criar fatos consumados antes das próximas eleições. O plano visa dificultar futuras negociações de paz e a criação de um Estado palestino independente.

As licitações para milhares de novas unidades habitacionais em áreas como E1, consideradas um obstáculo à viabilidade de um Estado palestino, foram lançadas em um período eleitoral sensível. Essa medida, juntamente com outras ações do governo, reforça o controle israelense sobre territórios palestinos, gerando forte preocupação internacional.

Organizações de direitos humanos e observadores internacionais alertam que as ações do governo Netanyahu podem ter consequências irreversíveis para o processo de paz. A expansão dos assentamentos, ilegal segundo o direito internacional, também coincide com um aumento alarmante na violência de colonos contra palestinos.

Conforme informação divulgada pela organização israelense de direitos humanos Peace Now, o governo está claramente tentando criar fatos consumados que serão muito difíceis de reverter pelo próximo governo. “Essa é a ideologia deles, e eles não a escondem”, afirma Yonatan Mizrachi, da Peace Now.

Expansão em E1: Um Golpe Fatal para a Solução de Dois Estados

A área de E1, localizada nos arredores de Jerusalém, é particularmente estratégica. A construção de assentamentos ali dividiria a Cisjordânia em duas partes, isolando Jerusalém Oriental e fragmentando o território palestino. O Ministério da Habitação lançou licitações para 1.200 e, posteriormente, para mais 2.100 unidades habitacionais na região. A apresentação de propostas para a segunda licitação ocorreu apenas dois dias antes da votação em 27 de outubro, levantando suspeitas de uso eleitoral.

Bezalel Smotrich, Ministro das Finanças e ele próprio um colono ultranacionalista, declarou que E1 “sepultará” a ideia de um Estado palestino. A expansão de assentamentos é justificada por alguns como necessidade de segurança, enquanto outros defendem um direito divino sobre a região, referida como Judeia e Samaria.

Aumento da Violência de Colonos e Impunidade

A expansão dos assentamentos israelenses tem sido acompanhada por um aumento sem precedentes na violência praticada por colonos contra palestinos. De acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), desde que o partido de Netanyahu assumiu o poder em 2022, colonos realizaram 6.100 ataques contra palestinos e suas propriedades, resultando no deslocamento total ou parcial de mais de 6.500 palestinos e 132 comunidades.

A impunidade para esses atos é notória. Um estudo da organização de direitos humanos Yesh Din revelou que, entre 2005 e 2024, apenas 3% das investigações sobre crimes cometidos por israelenses contra palestinos na Cisjordânia terminaram em condenações. As Forças de Defesa de Israel raramente intervêm para impedir os ataques, e poucos agressores são responsabilizados.

Medidas Estratégicas para Consolidar o Controle

Além das licitações em E1, o governo implementou medidas menos visíveis, mas igualmente estratégicas, para ampliar assentamentos em toda a Cisjordânia. O Ministério das Finanças destinou 36 milhões de shekels (aproximadamente R$ 58,8 milhões) para o registro de terras na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, um processo que a Peace Now alerta poder levar a uma “apropriação maciça de terras”.

Planos para a criação de 19 novos assentamentos na região norte da Cisjordânia também foram anunciados. Estes assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional, têm o potencial de fragmentar ainda mais o território palestino e cercar cidades como Jenin, dificultando a mobilidade e o acesso à terra para os palestinos.

Impacto nas Vidas Palestinas e o Futuro Político

A pressão sobre os palestinos se manifesta de diversas formas, incluindo restrições militares, isolamento de terras por postos de assentamentos e a retenção de receitas tributárias palestinas, que levaram a Autoridade Palestina à beira da falência. O caso de Loui Ridi, um palestino-americano cuja casa foi sitiada por colonos, exemplifica a precariedade da segurança e a dificuldade de acesso a serviços básicos.

Apesar das incertezas eleitorais, analistas e diplomatas preveem que, mesmo com uma mudança de governo, a reversão das políticas de expansão de assentamentos será politicamente desafiadora. A pesquisa do Jewish People Policy Institute indica que 55% dos judeus israelenses são favoráveis à manutenção do controle sobre todos os assentamentos, dificultando mudanças significativas no status quo.

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