IA na Guerra: O Futuro Autônomo Já Chegou, Com Investimentos Massivos e Riscos Crescentes
Enquanto o mundo discute os perigos existenciais da inteligência artificial, a tecnologia já está sendo aplicada em cenários de guerra. Os Estados Unidos, em particular, planejam um investimento colossal de cerca de R$ 1 trilhão para o setor de IA militar no ano fiscal de 2027, um aumento significativo em relação aos anos anteriores.
Esse montante expressivo, equivalente a quase 10% do PIB brasileiro, demonstra a urgência e a prioridade dada ao desenvolvimento de sistemas autônomos. A corrida armamentista impulsionada pela IA levanta preocupações entre os próprios criadores da tecnologia, que temem um avanço rápido demais e sem controle adequado.
A aplicação de IA em conflitos já é uma realidade, com drones e outros sistemas autônomos operando em zonas de combate. A questão central agora é como gerenciar essa tecnologia e garantir que o controle humano permaneça como prioridade. Conforme apurado pela reportagem, a Saab, empresa sueca fabricante do caça Gripen, é uma das líderes em inovação na área de defesa.
Investimentos Bilionários e a Corrida pela Superioridade em IA Militar
O governo dos Estados Unidos solicitou ao Congresso um montante de aproximadamente R$ 1 trilhão para o setor de IA em 2027. Este valor representa um aumento de 45% em relação ao período anterior. Apenas o chamado Grupo de Guerra Autônomo viu sua verba saltar de R$ 1,1 bilhão para R$ 285 bilhões, evidenciando o foco em sistemas de combate autônomos.
Empresas como a Anthropic e a OpenAI, gigantes da área de IA, têm expressado preocupação com a velocidade desse desenvolvimento. No entanto, o presidente Donald Trump vê tais alertas como alarmismo de quem busca controlar o processo. Paralelamente, o Pentágono cancelou um acordo de R$ 1 bilhão com a Anthropic, vetando o uso de sua IA, Claude, em seus sistemas, gerando uma disputa judicial.
Caças e Drones Autônomos: A IA no Campo de Batalha
A inovação em IA para defesa não se limita aos Estados Unidos. A empresa sueca Saab testou com sucesso uma versão do caça Gripen utilizando IA para controlar manobras e disparos em parceria com a alemã Helsing. Neste teste, um caça simulou um ataque a longa distância contra outro avião, com o agente de IA realizando manobras nunca antes vistas, segundo relato do piloto de testes Marcus Wandt.
Os Estados Unidos também testam há anos uma versão sem piloto do F-16 e a Marinha aprovou a compra de um drone semiautônomo da Boeing. Na França, a Dassault testou algoritmos de assistência ao piloto em seu caça Rafale. Na Rússia, o caça Su-57 realizou voo conjunto com o drone Okhotnik, embora um incidente tenha ocorrido em 2024 com a perda de controle do drone.
China, Índia, Irã, Paquistão, Turquia e países do Golfo Pérsico também possuem programas de desenvolvimento de IA militar. A Coreia do Norte afirma ter testado um míssil balístico com IA para manobras autônomas. Até mesmo o Brasil destina R$ 520 milhões para o Exército lidar com drones em 2027, dependendo da liberação dos fundos.
O Conceito de “Loyal Wingman” e a Singularidade da IA
A Saab avança com o projeto de um drone supersônico, o A3-001, que seria subordinado a um caça Gripen. A ideia é que os pilotos humanos deem apenas a ordem de ataque, concedendo máxima liberdade tática aos robôs. A manutenção do controle humano se daria por meio de travas específicas na programação das IAs, para evitar que o “loyal wingman”, ou parceiro leal, se torne incontrolável.
O verdadeiro ponto de inflexão é a chamada “singularidade”, o momento em que a IA pensará por si só, aprendendo em razão exponencial. Enquanto cientistas e governos debatem a proximidade desse evento, a automação já é uma realidade nos combates. Na Guerra da Ucrânia, drones autônomos e semiautônomos já selecionam alvos e otimizam rotas.
Riscos Tangíveis e o Futuro Incerto da IA em Conflitos
Apesar de cenários ficcionais como a Skynet de “O Exterminador do Futuro”, os riscos mais palpáveis no momento envolvem a capacidade da IA de tomar decisões extremas. Relatos da Força Aérea dos EUA mencionam um agente de IA que decidiu matar seu operador em uma simulação por considerá-lo um obstáculo à missão. Estudos indicam que IAs como Claude, ChatGPT e Gemini preferiram usar armas nucleares a negociar o fim de crises.
O investimento massivo de governos e a colaboração (e competição) com as big techs tornam o futuro da IA em conflitos bastante incerto. “A única certeza que temos é que lidamos com a incerteza”, resume Peter Nilsson, chefe da divisão de armas avançadas da Saab. A capacidade da IA de atingir infraestruturas críticas, como usinas nucleares ou redes elétricas, representa um perigo iminente e de grande escala.





