Aos 89 anos, Roberto Menescal prova a vitalidade da Bossa Nova com “Pure Bossa Remixes”
O ano de 2026 tem sido marcante para Roberto Menescal. Aos 89 anos, o artista, que celebrou seu aniversário em 25 de outubro, dois dias após o lançamento do EP “Pure Bossa Remixes”, demonstra uma impressionante capacidade de se reinventar e manter a bossa nova relevante. O novo trabalho, lançado pela Universal Music, traz seis DJs renomados remixando cinco clássicos da parceria entre Menescal e o letrista Ronaldo Bôscoli.
Este EP é mais uma prova da abertura de Menescal para o novo, sem se prender a nostálgias. O artista carioca, que é compositor, violonista, guitarrista e produtor musical, mostra que a essência da bossa nova pode dialogar com sonoridades eletrônicas contemporâneas. A iniciativa, que já vinha sendo observada em outros projetos, como o álbum “Bossa Sempre Nova”, onde Luísa Sonza interpretou standards da bossa nova com produção de Menescal e Toquinho, reafirma seu status como uma lenda viva.
A curadoria de DJs para o “Pure Bossa Remixes” inclui nomes como Diogo Strausz, DJ Marlboro, DJ Spinna, Gui Boratto, Nicola Conte e Tata Ogan. O EP, com cerca de 21 minutos e meio, explora a fusão da bossa nova com a música eletrônica, uma tendência que não é nova, mas que Menescal permite que seus clássicos naveguem com maestria. Conforme divulgado, o EP é um saboroso aperitivo para as celebrações de seus 90 anos, que ocorrerão em 25 de outubro de 2027.
A versatilidade de “Você” e o pioneirismo eletrônico na Bossa Nova
A faixa “Você”, composição de 1964, exemplifica a proposta do EP ao aparecer em duas versões distintas. O remix de Gui Boratto abre o disco, evocando a sonoridade dos anos 1980, enquanto o DJ Marlboro, figura central no funk carioca, apresenta sua releitura no encerramento. Embora nenhum dos remixes de “Você” seja inovador ao ponto de revolucionar a pista, eles demonstram a adaptabilidade da canção.
A fusão da bossa nova com batidas eletrônicas não é uma novidade. Desde os anos 1990, projetos como o trio BossaCucaNova já exploravam essa sonoridade, abrindo caminho para artistas como Bebel Gilberto, que alcançou projeção internacional com seu álbum “Tanto Tempo”, de 2000. A bossa nova, criada por João Gilberto, sempre se manteve atual, dispensando a necessidade de DJs para sua longevidade.
“Balansamba” e “A Morte de um Deus de Sal” ganham novas cores
A música que intitula a pauta, “Balansamba” (1963), ganha uma releitura vibrante nas mãos de Diogo Strausz. A gravação original, produzida por Aloysio de Oliveira, já possuía um balanço contagiante, que Strausz consegue manter e potencializar na nova versão. Outro destaque é o remix de Nicola Conte para “A Morte de um Deus de Sal” (1963). O DJ italiano explora a conexão entre a bossa nova e a música africana, ressaltando a influência do continente berço da música mundial.
“Nós e o Mar” e “Rio” cruzam mares sonoros com sucesso
O EP ainda reserva surpresas com o remix de Tata Ogan para “Nós e o Mar” (1962). A DJ e percussionista une tambores com sintetizadores, criando uma sonoridade exuberante que navega em ondas sonoras cativantes ao longo dos seus 4 minutos e 41 segundos. Já o DJ norte-americano Spinna, conhecido por mesclar ritmos negros americanos com a música eletrônica, traz uma nova perspectiva para “Rio”. Seu remix prova que a essência do “barquinho” de Roberto Menescal é forte o suficiente para cruzar diferentes universos musicais sem perder seu balanço característico.




