França mobiliza tropas para dia de protestos e celebrações de Halloween, com receio de tumultos
O governo francês anunciou um dispositivo de segurança excepcional para este sábado, com a mobilização de 70 mil militares. A medida visa conter novos protestos em massa contra o aumento do custo de vida, que coincidem com as celebrações do Halloween. As autoridades classificam as manifestações como de alto risco, temendo episódios de violência, saques e o uso de máscaras para ocultar a identidade de indivíduos envolvidos em distúrbios.
O Ministro do Interior, Laurent Nuñez, alertou para a possibilidade de “perturbações da ordem pública muito elevadas”, citando chamados para atos violentos identificados nas redes sociais. Estes chamados são atribuídos a grupos da esquerda radical e ao movimento dos Coletes Amarelos, que protestam contra as políticas governamentais. A preocupação se estende a manifestações estudantis convocadas para bloquear escolas e universidades, exigindo reformas educacionais.
As forças de segurança contarão com recursos como drones, helicópteros e veículos blindados para garantir a ordem. O ministro também ressaltou que o Halloween não será usado como desculpa para atos de vandalismo. Desde meados de setembro, os protestos já resultaram em ferimentos a militares, detenções e um óbito. As informações foram divulgadas em meio a um cenário de dificuldades econômicas na França, com o PIB recuando no último trimestre.
Aumento do Custo de Vida e Crise Econômica Alimentam Protestos
A França vive um período de intensa insatisfação social, impulsionada pelo aumento do custo de vida e dificuldades econômicas. O Produto Interno Bruto (PIB) do país registrou uma queda de 0,1% no terceiro trimestre, contrariando as expectativas de crescimento. O Ministro da Economia, Roland Lescure, atribuiu o desempenho a “choques externos e internos sem precedentes”, indicando uma perspectiva de estagnação econômica para os próximos anos.
Essa crise econômica intensifica a pressão sobre o governo de Emmanuel Macron, que enfrenta desafios para controlar a insatisfação popular e implementar medidas de ajuste fiscal. A situação se agrava a poucos meses das eleições presidenciais, onde a extrema-direita, liderada por Marine Le Pen, aparece em vantagem nas pesquisas, utilizando os distúrbios como um sinal de enfraquecimento do Estado.
Reforço de Segurança e Medidas Contra Ocultação de Identidade
O dispositivo de segurança para este sábado é considerado “excepcional”, com 70 mil militares, incluindo unidades especializadas, prontos para atuar. Além disso, serão utilizados drones, helicópteros, cães farejadores e veículos blindados para conter quaisquer atos criminosos. O Ministro do Interior, Laurent Nuñez, enfatizou que a celebração do Halloween não servirá de pretexto para a ocultação de rostos em espaços públicos com a intenção de cometer vandalismo.
Desde o início dos protestos em meados de setembro, 1.193 militares ficaram feridos, mais de 2.700 pessoas foram detidas e ao menos um manifestante morreu. Os atos têm sido marcados por violência, saques e incêndios, levando o governo a considerar a possibilidade de restringir temporariamente o acesso a redes sociais, embora especialistas apontem obstáculos técnicos e jurídicos para tal medida.
Protestos se Espalham pela Europa com Pautas Semelhantes
A onda de protestos não se limita à França. Na Alemanha, manifestações estão previstas em cerca de 30 cidades, organizadas pelo grupo “Gen Z regelt” (A Geração Z assume o controle). Na Espanha, comerciantes já se preparam, instalando tapumes para proteger vitrines. Portugal e Itália também devem registrar atos com reivindicações similares.
As pautas dos manifestantes europeus incluem a demanda por mais recursos para escolas de ensino médio, críticas à perda de poder aquisitivo, o alto custo de moradia, oposição ao serviço militar obrigatório e a defesa de medidas de proteção climática. A preocupação com a segurança pública e a possibilidade de conflitos em decorrência das manifestações são pontos centrais na agenda das autoridades europeias.
Histórico de Protestos e Disputas Judiciais por Localização
Esta é a terceira convocação de protestos em menos de um mês. Na primeira manifestação, em 17 de outubro, houve saques e depredações em milhares de estabelecimentos comerciais, além de incêndios em prédios públicos em cidades como Paris, Lyon e Marselha. A segunda jornada, em 24 de outubro, transcorreu majoritariamente de forma pacífica, apesar de incidentes isolados de violência.
Para as manifestações deste sábado, o governo determinou que as concentrações ocorram fora dos centros urbanos, em áreas periféricas, repetindo a estratégia da semana anterior. Em Paris, a proibição de manifestações no centro gerou uma disputa judicial. Um tribunal autorizou um cortejo pela praça da Bastilha, mas o governo anunciou que recorrerá da decisão ao Conselho de Estado, argumentando que houve “danos, grandes depredações e saques” em ocasiões anteriores.





