Joshua Wong é condenado a mais 10 anos de prisão em Hong Kong por conluio com potências estrangeiras, ampliando sua pena e o período atrás das grades.
O ativista pró-democracia de Hong Kong, Joshua Wong, uma figura proeminente na luta por mais liberdades na cidade, foi sentenciado nesta quinta-feira (5) a cumprir mais dez anos de prisão. A condenação, baseada na acusação de conluio com potências estrangeiras, estende significativamente o tempo que o jovem ativista passará detido.
Wong, que alcançou reconhecimento global após sua participação ativa no “movimento dos guarda-chuvas” em 2014, já havia passado quase seis anos encarcerado. Com esta nova pena, sua libertação só está prevista para o final de 2036. Ele completou 30 anos no mês passado.
Originalmente, o ex-líder estudantil deveria ser liberado em janeiro, após cumprir quatro anos e oito meses de uma sentença por subversão, imposta sob a controversa lei de segurança nacional de Pequim. No entanto, as autoridades de Hong Kong recorreram à mesma lei em junho do ano passado para reabrir o caso contra Wong, acusando-o de colaborar com outros países e entidades para impor sanções contra o centro financeiro e a China continental. A informação foi divulgada pela fonte original do conteúdo.
Magnata da mídia Jimmy Lai também condenado sob a nova lei
Esta não é a primeira vez que a lei de segurança nacional resulta em sentenças severas para figuras pró-democracia. O magnata da mídia Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, foi condenado a 20 anos de prisão em fevereiro, sob a mesma legislação. Washington classificou a decisão contra Lai como “injusta e trágica”.
Wong e Nathan Law considerados “líderes” de conspiração
O tribunal considerou Joshua Wong e o também ex-líder estudantil Nathan Law, que atualmente vive em exílio voluntário e é procurado pelas autoridades, como “dois líderes ou mentores” de uma conspiração com o objetivo de comprometer a segurança nacional. A declaração foi feita pelo juiz William Tam, conforme relato da fonte.
O juiz William Tam afirmou que Wong poderia ter enfrentado prisão perpétua, dado que seu delito foi considerado “de natureza grave”. Contudo, o magistrado estabeleceu uma “pena inicial adequada” de 13 anos, que foi reduzida para dez em virtude da confissão de culpa do ativista.
Ativista demonstrou calma e acenou para apoiadores após a sentença
Sob forte esquema de segurança policial, Joshua Wong adentrou o tribunal com aparente calma, vestindo uma camisa azul e óculos pretos. Ele acenou para seus apoiadores presentes e percorreu a sala com o olhar. Após a leitura da sentença, Wong agradeceu e acenou novamente para seus seguidores ao deixar o local, enquanto alguns choravam e expressavam que “estarão esperando por sua liberação”.
Steve Tsang, diretor do Instituto da China da SOAS, Universidade de Londres, comentou que Pequim identificou Joshua Wong como um dos principais líderes do que considera uma “rebelião aberta” em 2019, apesar de sua postura mais moderada, e que ele seria usado como exemplo. Tsang acrescentou que o destino de Wong demonstra que Pequim “mantém Hong Kong sob rédea curta e não há possibilidade de voltar aos dias mais tolerantes anteriores a 2019”.
Human Rights Watch classifica acusações como “falsas” e sentença “cruel”
A organização Human Rights Watch criticou veementemente a condenação, classificando as acusações contra Wong como “falsas” e a sentença como “cruel e injusta”. A organização instou governos estrangeiros a condenarem as sentenças impostas a Wong e outros ativistas pró-democracia detidos injustamente, além de aplicarem sanções direcionadas aos funcionários responsáveis pela crescente repressão em Hong Kong.
Joshua Wong ganhou proeminência durante os protestos de 2014 e tem alternado períodos dentro e fora da prisão desde 2017. As autoridades alegam que ele iniciou atividades de lobby internacional em 2016, promovendo um projeto de lei que permitiria ao presidente dos Estados Unidos impor sanções por violações de direitos em Hong Kong. Em 2019, ele participou de uma delegação aos EUA para defender o projeto, que foi posteriormente aprovado.
No ano seguinte, Pequim implementou a lei de segurança nacional em Hong Kong, visando sufocar a dissidência. Isso levou à dissolução de grupos de oposição e à fuga de ativistas da cidade. Na época, Wong prometeu “continuar defendendo meu lar — Hong Kong — até que me silenciem”.
Ele estava entre dezenas de figuras pró-democracia condenadas por subversão em 2024, no maior julgamento por crimes contra a segurança nacional já realizado em Hong Kong. Louis Lee, amigo do ativista, relatou que Wong, apesar de demonstrar preocupação e nervosismo, continua “cheio de energia” na prisão, embora às vezes pareça decepcionado e suspire.





