Hamas impõe condição crucial para desarmamento: saída total de Israel de Gaza
O braço armado do Hamas declarou neste domingo (5) que qualquer discussão sobre o desarmamento do grupo antes da implementação completa da primeira fase do cessar-fogo em Gaza, mediado pelos Estados Unidos, é uma tentativa de prosseguir com o que chamou de **genocídio contra o povo palestino**.
Em um pronunciamento televisionado, Abu Ubaida, porta-voz do Hamas, afirmou que a questão das armas não será aceita ser levantada de forma grosseira. A exigência do Hamas representa um **obstáculo significativo nas negociações** para o plano de paz proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que visa consolidar o cessar-fogo.
Fontes próximas às negociações informaram à agência Reuters que o Hamas comunicou aos mediadores que **não discutirá o desarmamento sem garantias de que Israel deixará Gaza completamente**. A declaração de Ubaida enfatiza a gravidade da situação, classificando as exigências de desarmamento como uma tentativa flagrante de continuar o genocídio, algo que o grupo afirma não aceitar sob nenhuma circunstância.
Tensões aumentam com acusações mútuas de violação do cessar-fogo
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, tanto o Hamas quanto Israel têm se acusado mutuamente de violar os termos acordados. Abu Ubaida instou os mediadores a **pressionarem Israel para que cumpra seus compromissos** na primeira fase do plano antes que qualquer discussão sobre a segunda fase possa ocorrer.
O porta-voz do Hamas declarou que é o inimigo quem está minando o acordo. Até o momento, não houve comentários imediatos de Israel sobre as declarações. A situação é agravada por incidentes contínuos, como um ataque atribuído a Israel que, segundo a Defesa Civil e um hospital de Gaza, **matou quatro civis e deixou outros feridos** na Cidade de Gaza.
Ataques e contagem de vítimas em meio ao cessar-fogo
A Defesa Civil de Gaza informou que um ataque aéreo israelense antes do amanhecer resultou na morte de quatro pessoas e deixou várias feridas. O hospital Al Shifa de Gaza confirmou o balanço, detalhando que um drone israelense disparou dois mísseis contra um grupo de civis.
O Exército israelense, por sua vez, declarou ter identificado uma **”célula terrorista” que representava uma “ameaça imediata”**, justificando assim um “ataque seletivo”. Apesar do cessar-fogo, Israel tem realizado ataques em Gaza, com o Ministério da Saúde do território, sob autoridade do Hamas, reportando pelo menos 715 mortos desde 10 de outubro. As Nações Unidas consideram os números do ministério confiáveis. Do lado israelense, cinco soldados teriam morrido desde o início da trégua.
Contexto da guerra e o plano de paz americano
A guerra entre o Hamas e Israel eclodiu após ataques transfronteiriços liderados pelo grupo contra o sul de Israel. A ofensiva israelense subsequente devastou grande parte da Faixa de Gaza, deslocando a população e deixando o território em ruínas, com mais de 70 mil mortos, de acordo com dados do Ministério da Saúde.
O plano de paz americano, que visa consolidar o cessar-fogo e potencialmente levar ao desarmamento do Hamas, encontra-se em um impasse devido à exigência do grupo de uma retirada israelense completa como pré-condição para qualquer negociação sobre suas armas.





