Tribunal dos EUA anula condenação de 45 anos de ex-presidente hondurenho por narc
Em uma reviravolta surpreendente, um tribunal de apelações dos Estados Unidos anulou a condenação de 45 anos de prisão imposta ao ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, em 2024. A decisão, anunciada por sua esposa, Ana García, nesta quarta-feira (8), representa uma vitória significativa para o ex-mandatário, que sempre se declarou inocente das acusações de narcotráfico.
Hernández, que liderou Honduras de 2014 a 2022, foi condenado sob acusações de ter facilitado a entrada de centenas de toneladas de drogas nos Estados Unidos, em suposta aliança com cartéis internacionais, incluindo o do mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán. A notícia da anulação da condenação foi recebida com celebração pelo próprio ex-presidente, que se pronunciou virtualmente de um local não divulgado nos EUA.
“Hoje o sistema de justiça dos Estados Unidos me dá razão”, declarou Hernández, visivelmente emocionado. Ele reiterou sua crença de ser vítima de uma perseguição política, alegando que sua extradição foi motivada por vingança e por aqueles que buscavam encobrir seus próprios crimes. A decisão judicial, conforme divulgado pela AFP, representa uma anulação completa da condenação e da sentença, rejeitando integralmente as acusações apresentadas contra ele.
Anulação Completa e Justiça Declarada
Ana García, esposa do ex-presidente, comunicou à imprensa em Tegucigalpa que a condenação foi “eliminada por completo” e as acusações “injustamente apresentadas foram rejeitadas”. A declaração enfatiza a amplitude da decisão judicial, que não apenas reverteu a pena, mas também invalidou os fundamentos da acusação. Juan Orlando Hernández, conhecido popularmente como JOH, expressou sua gratidão pela decisão, afirmando que “é uma anulação completa, é justiça total”.
Hernández se diz Vítima de Vingança Política
Desde sua extradição, o ex-presidente hondurenho tem consistentemente alegado ser alvo de uma perseguição orquestrada. Ele sugere que sua condenação foi resultado de uma “armação” de seus adversários políticos, em particular, mencionando o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Hernández, um advogado de 57 anos, foi entregue às autoridades americanas sob a lei de extradição que ele mesmo havia aprovado em 2012, quando presidia o Congresso hondurenho, sob pressão de Washington.
Testemunhas e Acusações no Julgamento
Durante o julgamento que levou à sua condenação original em 2024, diversas testemunhas, incluindo chefes do tráfico extraditados, depuseram contra Juan Orlando Hernández. Uma das testemunhas relatou ter ouvido o ex-presidente se gabar de sua capacidade de introduzir drogas nos Estados Unidos “debaixo do próprio nariz deles”, sem que fossem percebidos. Essas alegações foram centrais para a acusação de narcotráfico que agora foi anulada pelo tribunal de apelações americano.
O Caminho para a Extradição e a Luta pela Liberdade
A extradição de Hernández, ocorrida há quatro anos, foi descrita por ele como um ato “vergonhoso” e uma “vingança política”. Ele argumenta que seus acusadores, ao persegui-lo nos Estados Unidos, buscavam dissimular seus próprios envolvimentos criminais. A luta pela sua liberdade agora ganha um novo capítulo com a anulação de sua condenação, reabrindo o debate sobre as complexas relações entre Honduras e os Estados Unidos no combate ao narcotráfico e a política internacional.





