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Relatora da ONU lança livro chocante acusando o mundo de “conivência” com a guerra em Gaza: “Israel está escrevendo uma das piores páginas da história”

Relatora da ONU critica comunidade internacional em livro sobre Gaza e acusa de conivência

Indignada e envergonhada, Francesca Albanese, relatora especial da ONU para a Palestina, decidiu transformar sua revolta em um livro. A obra “Quando o Mundo Dorme” argumenta que governos e instituições multilaterais falharam em impedir a escalada da crise humanitária na Faixa de Gaza, permitindo que Israel conduzisse bombardeios que resultaram em mais de 72 mil mortos e uma infraestrutura completamente devastada.

Albanese, que já é conhecida por suas críticas contundentes a Israel, descreve a situação como um período sombrio na história, onde a inação global se configura como uma forma de conivência. O livro, publicado na Itália em 2025 e lançado no Brasil pela editora Tabla, se soma a outras publicações que questionam as ações de Tel Aviv na região.

A relatora, que teve seu mandato renovado, já havia gerado controvérsia ao descrever Israel como um regime de apartheid e ao acusar o país de genocídio. Embora condene os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, Albanese afirma que a resposta israelense configura uma campanha de limpeza étnica, alegações que Tel Aviv nega veementemente. Conforme informação divulgada pela obra, a comunidade internacional não fez o suficiente para frear a crise humanitária que assola a região.

A estrutura do livro e a história de Hind Rajab

Em “Quando o Mundo Dorme”, Albanese organiza seu argumento em torno de dez personagens, mesclando narrativa pessoal com análise legal e reflexões sobre direitos humanos. Um dos exemplos tocantes é a história de Hind Rajab, uma menina de 5 anos morta em Gaza enquanto aguardava resgate, caso que inspirou um filme candidato ao Oscar.

Através dessa e de outras narrativas, a relatora aborda o conceito de “unchilding”, a negação da infância em zonas de conflito. Ela contrasta a realidade das crianças palestinas com a de seus próprios filhos, que brincavam alheios à guerra, intensificando seu sentimento de indignação e vergonha diante da catástrofe.

Refutando acusações de antissemitismo

Albanese também dedica parte do livro a refutar as acusações de antissemitismo. Ela demonstra sua conexão com a cultura judaica através de amizades com acadêmicos e estudiosos do Holocausto, como Alon Confino. A relatora reconhece erros passados, como a confusão entre judeus e sionistas durante a guerra de Gaza em 2014, mas reitera sua crítica às ações do governo israelense, não ao povo judeu.

Críticas ao tom e à mensagem final da obra

Apesar da solidez argumentativa baseada na lei internacional e na experiência da relatora, o livro recebe críticas quanto ao seu tom. Menções à vida pessoal de Albanese e o uso de frases motivacionais, como “você não pode mudar nada se de alguma forma não tiver mudado a si mesmo”, são consideradas deslocadas.

Para os críticos, a mensagem de “paz interior” contrasta com a tese central da obra, que aponta para a urgência de despertar o mundo, que, segundo o título, “dorme” enquanto Gaza sofre. A ênfase recai sobre a responsabilidade coletiva e a necessidade de ação externa para cessar o conflito e a crise humanitária na região.

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