Papa Leão 14 embarca em missão diplomática e espiritual de 10 dias pela África, visitando Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
O Papa Leão 14 iniciou nesta segunda-feira (13) uma extensa viagem apostólica por quatro nações africanas, um roteiro que se estenderá pelos próximos dez dias e cobrirá uma distância de quase 18 mil quilômetros. A jornada incluirá compromissos em 11 cidades, começando pela Argélia, onde o pontífice desembarcou por volta das 6h, no horário de Brasília.
Esta visita à Argélia, um país de maioria islâmica, marca um momento histórico, sendo a primeira vez que um papa pisa em solo argelino. A viagem visa fortalecer o diálogo inter-religioso e a convivência pacífica entre o Islã e o Cristianismo, conforme informações divulgadas.
A jornada do Papa Leão 14 pela África é considerada uma prioridade pessoal, refletindo a importância crescente do continente para o catolicismo global. O Vaticano destaca que a África é onde a Igreja Católica mais cresce e abriga mais de 20% dos fiéis em todo o mundo. O cardeal Michael Czerny, conselheiro próximo do papa, ressaltou à Reuters que a visita demonstra que “a África importa” e que o pontífice tem a missão de “ajudar a voltar a atenção do mundo para a África”.
Argélia: Diálogo Inter-religioso e Raízes Pessoais
Na Argélia, o Papa Leão 14 tem como um de seus objetivos principais levar uma mensagem de diálogo e convivência pacífica entre o Islã e o Cristianismo. O pontífice se reunirá com o presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, e visitará a Grande Mesquita de Argel, a maior mesquita da África. Um momento de grande significado pessoal para Leão 14 será a celebração de uma missa em Annaba, cidade onde viveu Santo Agostinho, figura central em sua própria trajetória de fé.
A visita à Argélia também ocorre em um contexto onde organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch, pediram que o papa aborde a situação das minorias religiosas no país. Embora a Constituição argelina preveja a liberdade de culto, há relatos de repressão. O padre Fred Wekesa, da basílica de Santo Agostinho em Annaba, expressou à agência AFP que a visita é um “momento profundamente significativo” e trará uma “mensagem de ânimo e solidariedade” para a comunidade católica local, além de realçar “a hospitalidade e a generosidade do povo argelino”.
Camarões: Desafios de Saúde e Conflitos Regionais
Em seguida, o Papa Leão 14 segue para Iaundé, capital de Camarões, onde cerca de 37% da população é católica. Esta será a quarta visita papal ao país. A viagem ocorre em um momento delicado, relembrando a visita de Bento 16 em 2009, que gerou polêmica ao questionar a flexibilização do uso de preservativos para combater a AIDS. O papa também visitará Bamenda, uma cidade na região norte assolada pelo grupo terrorista Boko Haram e por conflitos separatistas que causam mortes e deslocamentos.
Em Camarões, o pontífice será recebido pelo presidente Paul Biya, o chefe de Estado mais velho do mundo, que governa o país há mais de quatro décadas. O Papa Leão 14 celebrará missas e discursará na Catedral de São José, em Bamenda, buscando levar uma mensagem de paz e esperança em meio às dificuldades enfrentadas pela população.
Angola e Guiné Equatorial: Foco em Desigualdade e Longas Ditaduras
No sábado (18), o Papa Leão 14 encontrará o presidente de Angola, João Lourenço. O país, apesar de ser um grande produtor de petróleo, enfrenta desafios significativos de desigualdade social, com um terço de sua população vivendo com menos de US$ 2,15 por dia, segundo o Banco Mundial. O papa pretende abordar temas como corrupção e a gestão equitativa de recursos naturais.
A última parada da viagem será a Guiné Equatorial, em 21 de abril. O país, governado por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo desde 1979, o ditador mais longevo em exercício no mundo, recebeu um papa pela última vez em 1982. Com cerca de 80% da população identificada como católica, o desafio para o Papa Leão 14 será evitar a impressão de apoio ao regime, que segundo a Reuters, estaria recebendo deportados pelo governo de Donald Trump.
A viagem do Papa Leão 14 à África, que se encerra com seu retorno a Roma em 23 de abril, sublinha a importância estratégica e espiritual do continente para a Igreja Católica. A jornada busca não apenas fortalecer a fé, mas também promover o diálogo, a paz e a justiça social, em linha com as prioridades estabelecidas pelo novo pontificado.





