Donald Trump desafia o Papa Leão 14 e minimiza polêmica de imagem divina, gerando incertezas na base eleitoral cristã
As relações entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o papa Leão 14 azedaram significativamente após o líder americano criticar o pontífice nas redes sociais, chamando-o de “terrível” e “fraco”. A controvérsia se intensificou com a postagem de uma imagem criada por inteligência artificial, onde Trump aparece vestido como Jesus Cristo, com uma mão sobre a testa de um homem doente.
Em resposta às críticas do papa, especialmente sobre a questão nuclear do Irã, Trump declarou que não fará qualquer pedido de desculpas. O presidente afirmou que o papa disse coisas “erradas” e que sua postura é contrária às ações americanas em relação ao Irã, destacando a necessidade de impedir que o país obtenha armas nucleares.
A polêmica foi divulgada por fontes em Washington, onde o presidente Trump, em entrevista a jornalistas na Casa Branca, reiterou sua posição. Conforme relatado pelas fontes, o papa Leão 14 tem se posicionado contra conflitos, afirmando que “Deus não abençoa nenhum conflito” e que seguidores de Cristo não apoiam o lançamento de bombas, declarações que parecem ter motivado a reação de Trump. A reportagem aponta que, após a crítica do presidente, o pontífice assegurou que não teme o governo republicano e que continuará a se manifestar sobre a guerra.
Trump atribui a polêmica à “imprensa falsa” e defende sua intenção com a imagem
Horas após a repercussão negativa, a imagem de Trump em pose divina foi retirada do ar. Em declarações posteriores, o presidente justificou que a imagem foi publicada por ele mesmo e que a interpretação de que ele se comparava a Jesus era uma invenção da imprensa. Ele alegou que a intenção era mostrar-se como um “médico”, associado a um trabalho humanitário, possivelmente ligando-o à Cruz Vermelha, organização que ele afirma apoiar.
“Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha lá, que nós apoiamos”, disse Trump, atribuindo à “imprensa falsa” a comparação com Jesus. Ele acrescentou: “Só a imprensa falsa poderia inventar essa. Acabei de ouvir sobre isso e disse: como eles chegaram a essa conclusão? A ideia é que eu fosse um médico, fazendo as pessoas se sentirem melhor —e eu faço as pessoas se sentirem melhores.”
Reações conservadoras e o dilema eleitoral para Trump
A publicação da imagem gerou críticas de figuras conservadoras nos Estados Unidos, que pediram a remoção da montagem e acusaram Trump de blasfêmia. Megan Basham, escritora e comentarista cristã protestante, classificou a postagem como “blasfêmia revoltante” e exigiu um pedido de perdão a Deus e ao povo americano. Isabel Brown, influenciadora conservadora, descreveu o post como “nojento e inaceitável”.
Michael Knowles, podcaster católico conservador, sugeriu que, independentemente da intenção, seria mais prudente para o presidente deletar a imagem por razões espirituais e políticas. Riley Gaines, ativista conservadora, criticou a aparente falta de humildade na postagem, questionando se o presidente realmente pensa dessa forma e afirmando que “um pouco de humildade lhe faria bem” e que “Deus não deve ser zombado”.
Católicos americanos em xeque: Papa ou Presidente?
Eleitores cristãos, incluindo católicos, representam uma parcela significativa da base política de Donald Trump. Apesar de não frequentar a igreja regularmente, o republicano obteve sucesso entre eleitores cristãos na eleição de 2024. David Gibson, diretor do Centro de Religião e Cultura da Universidade Fordham, uma instituição católica, considera difícil prever se essa atitude de Trump levará os católicos americanos a se voltarem contra ele.
Gibson levanta a questão sobre se essa atitude ultrapassará um limite para os eleitores católicos, questionando se eles “finalmente punirão Trump e o Partido Republicano nas urnas”. Ele conclui que “este é um momento decisivo: os católicos americanos escolherão o papa ou o presidente?”, ressaltando o dilema enfrentado por essa parcela do eleitorado americano.





