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Pré-natal Integral: Indígenas e Mulheres com Pouca Escolaridade Enfrentam Barreiras no Brasil, Revela Estudo

Pré-natal integral é menor entre indígenas e mulheres com pouco estudo

No Brasil, a universalidade do pré-natal, fundamental para a saúde materna e infantil, ainda é um desafio. Embora quase todas as gestantes iniciem o acompanhamento, a continuidade e a completude das consultas são significativamente menores entre mulheres indígenas, com baixa escolaridade e residentes na Região Norte do país.

Um estudo recente, divulgado pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel) em parceria com a Umane, revela que a cobertura das consultas de pré-natal cai consideravelmente ao longo da gestação para esses grupos.

A pesquisa, baseada em dados de mais de 2,5 milhões de nascimentos em 2023, destaca a importância de políticas públicas voltadas para grupos em maior vulnerabilidade para garantir o direito à saúde para todas as gestantes. Conforme informação divulgada pelo estudo, o acesso integral ao pré-natal é um reflexo das desigualdades sociais no Brasil.

Disparidades na Cobertura do Pré-natal

A média de cobertura do pré-natal integral, que idealmente deve iniciar logo no início da gestação, apresenta grandes diferenças entre os perfis de mulheres. Enquanto a cobertura inicial é próxima de 99,4%, a taxa cai para 78,1% ao considerar a sétima consulta. Esse percentual é ainda menor para mulheres com menor escolaridade e para as indígenas.

Gestantes com maior nível de educação formal alcançam 86,5% de cobertura completa. Em contrapartida, aquelas que tiveram menos acesso à educação formal chegam a apenas 44,2%. Essa é uma das principais barreiras identificadas pelo estudo.

Mulheres Indígenas e a Baixa Escolaridade: Duplos Obstáculos

Mulheres indígenas com baixa escolaridade acumulam dois fatores de vulnerabilidade: a origem étnico-racial e o menor número de anos de estudo formal. Apenas 19% delas conseguem realizar a quantidade recomendada de consultas de pré-natal.

Em comparação, 88,7% das mulheres brancas com 12 anos ou mais de escolaridade completam o acompanhamento. A disparidade é gritante, evidenciando a exclusão de grupos minoritários no acesso à saúde.

Ao analisar a finalização do acompanhamento, 51,5% das mulheres de povos originários conseguem concluir. Esse número é significativamente menor que o de mulheres brancas (84,3%), pretas (75,7%) e pardas (75,3%). O abandono do pré-natal entre indígenas chega a ser três vezes maior do que entre mulheres brancas.

Impacto Regional e Idade das Gestantes

A Região Norte do Brasil apresenta a menor taxa de pré-natal integralmente respeitado, com 63,3% das gestantes sendo plenamente atendidas. As regiões Nordeste (76,1%) e Centro-Oeste (77%) também mostram taxas inferiores às do Sudeste (81,5%) e Sul (85%).

As gestantes adolescentes, com menos de 20 anos, também enfrentam desafios, com apenas 67,7% delas completando o pré-natal integralmente. Esse índice é inferior aos 82,6% observados em mulheres com mais de 35 anos, indicando a necessidade de políticas específicas para essa faixa etária.

Recomendações e o Futuro do Pré-natal no Brasil

Luiza Eunice, pesquisadora responsável pelo estudo, enfatiza a necessidade de combater o racismo estrutural e a discriminação no acesso à saúde. Ela defende programas voltados para adolescentes e mulheres com menor escolaridade, focando na educação sexual e na importância do pré-natal.

A especialista também aponta a importância de fatores como a disponibilização de transporte público e o fortalecimento do vínculo entre as gestantes e os profissionais de saúde. “Esse apoio, esse vínculo, essa captação ativa dessa gestante vai melhorar a navegação dela para ela retornar às consultas”, afirmou Eunice.

Evelyn Santos, gerente da Umane, reforça a necessidade de um esforço público maior para suprir essas demandas. “Independentemente de onde moram, de cor de pele, de escolaridade, nós temos que ser capazes de fornecer o mesmo pré-natal, adequado, a todas as mulheres”, declarou.

O pré-natal é essencial para a detecção precoce de doenças, o tratamento de condições de saúde e a redução de riscos durante o parto, beneficiando tanto a mãe quanto o bebê. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destaca a importância da amamentação e da alimentação complementar saudável, além do acompanhamento médico regular.

A frequência das consultas varia com o tempo de gestação, sendo idealmente mensais até a 28ª semana, quinzenais até a 36ª semana e semanais no final da gravidez. Diversos exames são solicitados durante o acompanhamento para garantir a saúde de ambos.

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