Elis Regina ganha nova vida em álbum póstumo com uso de inteligência artificial, resgatando gravações de 1976
Um novo álbum póstumo de Elis Regina está em fase de produção, com lançamento previsto para novembro deste ano. O projeto promete trazer dez faixas inéditas, criadas a partir da voz da cantora em um especial de TV gravado há 40 anos. A iniciativa utiliza recursos de inteligência artificial para restaurar e revitalizar o áudio original.
Este trabalho surge em meio a controvérsias sobre a remixagem de um álbum de 1973, que gerou polêmica com o pianista Cesar Camargo Mariano. Paralelamente a essas discussões, João Marcello Bôscoli e o engenheiro de som Ricardo Camera vinham desenvolvendo este novo projeto, focado em um especial gravado para a TV Bandeirantes em 1976.
A gravação original, feita em 16 canais no estúdio paulistano Vice-Versa, já havia originado o álbum póstumo “Luz das estrelas” em 1984. Naquela época, a voz de Elis foi sobreposta a novos arranjos criados com a tecnologia disponível. Agora, o processo é similar, mas potencializado pelas ferramentas digitais do século XXI, incluindo a inteligência artificial. A ideia do projeto surgiu em 2023, em conversa entre João Marcello Bôscoli e seu irmão, Pedro Mariano. Conforme informação divulgada pelo blog do jornalista Julio Maria, biógrafo de Elis Regina, o trabalho de restauração da voz foi feito por Ricardo Camera, utilizando softwares de IA para eliminar ruídos e interferências. A base instrumental foi recriada nos Estúdios Trama NaCena, com arranjos de Marcelo Maita, buscando um som contemporâneo, mas fiel ao universo da icônica cantora.
Restauração digital e novos arranjos: a tecnologia a serviço da arte
A voz de Elis Regina, extraída de uma fita enviada pela gravadora Som Livre à família da cantora (a fita original do programa de TV aparentemente se perdeu), passou por um minucioso processo de restauração. O engenheiro de som Ricardo Camera utilizou softwares de inteligência artificial para reduzir e eliminar ruídos e interferências, garantindo a clareza e a pureza da interpretação de Elis. Essa tecnologia moderna permitiu resgatar a qualidade sonora da gravação de 1976.
Após a restauração vocal, uma nova base instrumental foi cuidadosamente produzida. Nos Estúdios Trama NaCena, em São Paulo, o arranjador Marcelo Maita criou arranjos com a ambição de soar contemporâneos, ao mesmo tempo em que se mantêm fiéis ao universo musical de Elis Regina. A cantora, conhecida por sua apurada musicalidade, era extremamente exigente com a criação e execução dos arranjos, e o novo projeto buscou honrar essa característica.
Músicos renomados e repertório promissor
Para a gravação das novas bases instrumentais, foram arregimentados músicos de peso. Conrado Goys na guitarra, Daniel de Paula na bateria, Paulinho da Costa na percussão e percussão vocal, e Robinho Tavares no baixo. Eles se uniram ao arranjador Marcelo Maita, que também tocou piano elétrico e sintetizador, para dar vida a músicas que prometem emocionar o público.
Entre as canções que compõem o repertório do novo álbum, está a música “Corsário”, composição de João Bosco e Aldir Blanc. A canção foi apresentada ao Brasil na voz de Ney Matogrosso em 1975 e incluída por Elis no especial de TV. A dupla João Bosco e Aldir Blanc tem forte presença no repertório de Elis desde 1972, e outras composições deles também podem integrar o álbum, como “O mestre-sala dos mares” e “Gol anulado”. Outras possíveis faixas incluem “Triste”, de Antonio Carlos Jobim.
Lançamento do single “Corsário” e o futuro do projeto
O projeto ganhou projeção pública em 10 de maio de 2024, com o lançamento do single da nova versão de “Para Lennon e McCartney”. Agora, em 10 de maio, Dia das Mães, será lançado o single com a nova versão de “Corsário”. A capa deste single exibe a assinatura de Elis Regina, um toque especial para os fãs. Originalmente intitulado “Elis para sempre”, o álbum póstumo tem gerado grande expectativa e promete ser um marco na celebração da obra da eterna “Pimentinha” da MPB.





