Fake News sobre Urnas Eletrônicas: Um Ataque à Democracia
Em meio às celebrações de 30 anos das urnas eletrônicas no Brasil, uma pesquisa aponta um cenário preocupante: mais de 45% dos conteúdos falsos relacionados a eleições atacam diretamente o sistema de votação eletrônico. A desinformação sobre as urnas eletrônicas se tornou o principal alvo de fake news em ciclos eleitorais recentes, conforme revela um estudo do Projeto Confia, do Pacto pela Democracia.
A pesquisa analisou milhares de conteúdos e identificou que, além das urnas eletrônicas, outros alvos frequentes de desinformação incluem o Supremo Tribunal Federal (STF) e autoridades, teorias de fraude na apuração e desinformação sobre regras eleitorais. A disseminação dessas narrativas falsas levanta sérias questões sobre a confiança no processo democrático e a necessidade de estratégias eficazes de combate à desinformação.
O estudo busca entender as origens da desconfiança no sistema eleitoral e preparar o terreno para combater a desinformação nas eleições de 2026. Com base nos resultados, o objetivo é construir contra-narrativas robustas e responder rapidamente a ataques contra as urnas eletrônicas e a integridade do processo eleitoral brasileiro.
Os Ataques Mais Comuns às Urnas Eletrônicas
As fake news sobre as urnas eletrônicas frequentemente exploram o desconhecimento técnico da população. Entre os exemplos mais recorrentes estão mensagens que alegam um suposto atraso no botão “confirma” ou que a urna completaria automaticamente os números digitados pelo eleitor. Essas informações falsas buscam gerar desconfiança e questionar a segurança e a lisura do sistema de votação.
Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, explica que essas narrativas utilizam explicações técnicas equivocadas para sugerir falhas e manipulações. Elementos visíveis da experiência de votação, como as teclas e as mensagens na tela, são distorcidos para criar estranhamento e alimentar dúvidas na mente dos eleitores.
A pesquisadora ressalta que a interação pontual do eleitor com a urna eletrônica, apenas a cada dois anos, contribui para a disseminação dessas notícias falsas. A falta de acesso constante à informação e a dificuldade em verificar rapidamente alegações sobre o funcionamento do aparelho favorecem a circulação da desinformação.
Desconfiança e Confiança nas Urnas Eletrônicas
Apesar da proliferação de fake news, pesquisas recentes indicam que a confiança nas urnas eletrônicas ainda é significativa. Um levantamento da Quaest, divulgado em fevereiro deste ano, mostrou que 53% dos brasileiros confiam no sistema. Em 2022, um estudo do Datafolha apontava um índice de 82% de confiança.
Os dados mostram variações entre faixas etárias. Pessoas com 60 anos ou mais, que vivenciaram o voto em papel, apresentam 53% de confiança. Já entre os jovens de 16 a 34 anos, a confiança chega a 57%. No entanto, entre 35 e 50 anos, 50% afirmam não confiar nas urnas eletrônicas, um grupo que pode ser mais suscetível a narrativas de desinformação.
Combate à Desinformação e Preparação para 2026
O Projeto Confia analisou mais de 3 mil conteúdos em eleições passadas, com 716 mensagens selecionadas para análise aprofundada. Desses, 326 (mais de 45%) continham ataques às urnas eletrônicas. O estudo é fundamental para entender os focos da desconfiança e planejar ações para as eleições de 2026.
O objetivo é tornar o processo de votação mais compreensível para o eleitor, desde o momento do voto até a totalização. Ao desmistificar o funcionamento das urnas eletrônicas e combater ativamente as fake news, busca-se fortalecer a democracia e garantir a confiança da população no sistema eleitoral brasileiro. O Pacto pela Democracia, coalizão de mais de 200 organizações, lidera esses esforços para defender o Estado Democrático de Direito.




