Governo defende urgência e critica tática de “empurrar com a barriga” para adiar fim da escala 6 por 1
O governo federal considera o fim da escala de trabalho 6 por 1 uma questão de **urgência**, classificando a aprovação como algo que deve acontecer “para agora”. A avaliação é do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, que acusa parlamentares bolsonaristas de tentarem “empurrar com a barriga” a votação, demonstrando oposição à medida.
A declaração de Boulos ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhar a proposta ao Congresso Nacional sob o regime de urgência constitucional. Essa medida estabelece prazos curtos para a análise da matéria em ambas as casas legislativas, buscando acelerar o processo.
Com o regime de urgência, a Câmara dos Deputados terá até 45 dias para votar o texto, e o Senado Federal terá o mesmo prazo. A expectativa do governo é que a proposta seja votada e aprovada até agosto, garantindo ao menos dois dias de descanso semanal para todos os trabalhadores brasileiros.
A “pauta do Brasil” e o direito ao descanso
Guilherme Boulos ressaltou que o fim da escala 6 por 1 é uma reivindicação básica e essencial para o bem-estar dos trabalhadores. “É o básico. Ninguém está pedindo demais. Está pedindo ter tempo para viver”, afirmou o ministro.
Ele destacou a importância de garantir tempo para que os trabalhadores possam ficar com suas famílias, cuidar dos filhos, desfrutar de lazer e até mesmo se qualificar profissionalmente. “É uma pauta do Brasil, do trabalhador, encampada pelo presidente Lula”, acrescentou Boulos, enfatizando o gesto do governo em solicitar urgência.
Estratégias de oposição e a rejeição à transição lenta
O ministro criticou a estratégia da oposição de adiar o debate sobre o fim da escala 6 por 1 para depois do período eleitoral, o que seria impedido pela urgência constitucional. Além disso, Boulos considerou inaceitável a articulação para uma transição de cinco anos para a redução da jornada.
“Demorar cinco anos para reduzir a jornada uma hora por ano não dá. Nós não concordamos com isso. Achamos que o fim da escala 6 por 1 é para agora”, declarou o ministro, reiterando a posição do governo pela celeridade na aprovação.
Estudos apontam impacto econômico positivo e maior produtividade
Boulos citou estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que indicam que o impacto econômico da redução da escala de trabalho não seria negativo. Contrariando alegações de empresários, a economia brasileira teria capacidade de absorver a mudança sem prejuízos.
O argumento central é que um trabalhador descansado **produz mais e melhor**. O excesso de cansaço gerado pela escala 6 por 1, segundo o ministro, acaba prejudicando o desempenho geral. “Um trabalhador descansado trabalha melhor, rende mais”, concluiu Boulos.




