Live Nation e Ticketmaster Condenadas por Monopólio Prejudicial no Mercado de Shows nos EUA
Um veredicto histórico foi proferido nesta quarta-feira (15), com um júri concluindo que a Live Nation e sua subsidiária Ticketmaster operam um monopólio prejudicial no mercado de grandes casas de espetáculos nos Estados Unidos. A decisão representa uma derrota significativa para as empresas, que enfrentavam um processo movido por dezenas de estados americanos e pelo Distrito de Columbia.
O julgamento expôs práticas internas questionáveis, incluindo mensagens de um funcionário que descrevia preços de ingressos como “absurdos” e clientes como “muito estúpidos”, além de admitir que a companhia estava “roubando-os descaradamente”. Essas revelações, trazidas à tona durante o depoimento do CEO Michael Rapino e de outros funcionários, pintam um quadro sombrio da atuação da empresa no setor de entretenimento ao vivo.
A condenação pode resultar em prejuízos financeiros bilionários para as empresas, além de possíveis multas e a obrigatoriedade de vender parte de seus negócios. A ação civil buscava combater a influência da Live Nation em sufocar a concorrência, impedindo casas de espetáculo de trabalharem com múltiplas plataformas de venda de ingressos. Conforme apurado pelo g1, o veredicto confirma que a Live Nation lucrou ilegalmente com seu monopólio por tempo excessivo.
Revelações Chocantes e Declarações Internas em Meio ao Julgamento
Durante o processo, mensagens internas de Benjamin Baker, hoje em cargo executivo de ingressos, vieram à tona. Nelas, Baker classificava preços como “absurdos”, chamava clientes de “muito estúpidos” e afirmava que a companhia estava “roubando-os descaradamente”. Em seu depoimento, Baker qualificou as mensagens como “muito imaturas e inaceitáveis”. O CEO da Live Nation, Michael Rapino, também foi questionado sobre o caos na venda de ingressos da turnê de Taylor Swift em 2022, episódio que ele atribuiu a um ataque cibernético.
O Domínio da Ticketmaster e a Luta Contra o Monopólio
A Ticketmaster, fundada em 1976 e fundida com a Live Nation em 2010, detém uma fatia colossal do mercado. Segundo informações divulgadas, a empresa controla cerca de 86% do mercado de shows e 73% do mercado total de eventos ao vivo. Essa concentração de poder tem sido alvo de críticas de fãs e artistas por décadas, remontando a um confronto da banda Pearl Jam com a empresa nos anos 1990, que resultou em uma denúncia antitruste.
Consequências Financeiras e Possíveis Mudanças no Mercado de Shows
A decisão do júri pode custar centenas de milhões de dólares às empresas, apenas considerando a cobrança indevida de US$ 1,72 por ingresso identificada em 22 estados. Além disso, multas e outras penalidades podem ser aplicadas, incluindo a possível obrigação de vender parte dos negócios, como arenas e anfiteatros. A procuradora-geral de Nova Jersey, Jennifer Davenport, declarou que o veredicto “histórico” confirma o lucro ilegal da Live Nation com seu monopólio. A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, classificou a decisão como “uma vitória histórica na proteção da economia e do bolso dos consumidores contra monopólios prejudiciais”.
Próximos Passos: Definição de Penalidades e Impacto no Futuro do Setor
O juiz orientou as equipes jurídicas a se reunirem para apresentar, até o fim da próxima semana, uma proposta conjunta com o cronograma das próximas etapas do processo, incluindo a fase de definição de punições. Embora o governo do ex-presidente Joe Biden tenha apresentado a ação atual, durante a gestão de Donald Trump, um acordo foi anunciado para encerrar parte do processo, prevendo limites para taxas de serviço e novas opções de venda de ingressos. No entanto, mais de 30 estados decidiram seguir com o julgamento, considerando as concessões insuficientes. A vitória dos estados abre caminho para uma reestruturação significativa no mercado de ingressos e entretenimento ao vivo, buscando maior concorrência e preços mais justos para os consumidores.





