Polícia Federal investiga organização criminosa e prende MCs Ryan SP e Poze do Rodo em megaoperação.
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) uma megaoperação que mira uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e transações ilegais que ultrapassam R$ 1,6 bilhão. A ação teve como alvo, entre outros, as produtoras GR6, Love Funk e Bololo Records, que possuem forte ligação com o cenário do funk brasileiro.
O impacto da investigação se reflete diretamente nas paradas de sucesso. Conforme levantamento divulgado pelo g1, impressionantes oito das dez músicas mais ouvidas no Spotify no Brasil no momento da operação têm alguma conexão com as empresas e artistas investigados pela PF.
A operação levanta suspeitas sobre o uso da indústria audiovisual e do showbusiness digital para ocultar atividades ilícitas, como tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais, utilizando a imagem de influenciadores de massa. MCs Poze do Rodo e Ryan SP foram presos, com Ryan SP detido em uma festa no litoral paulista.
Conexão direta com o topo das paradas de streaming
A forte presença de artistas ligados às produtoras investigadas no top 10 das músicas mais ouvidas no Spotify é um indicativo do alcance dessas empresas. Dentre as dez faixas mais populares, apenas “SWIN”, do grupo sul-coreano BTS, e “Eu Te Seguro”, de Panda, não apresentaram ligação direta com os alvos da PF.
As outras oito músicas do ranking, somadas, acumulam a expressiva marca de 775 milhões de reproduções na plataforma de streaming. Entre os nomes citados na decisão da operação, além de MCs Ryan SP e Poze do Rodo, estão artistas que compõem faixas de grande sucesso.
Gigantes do funk sob investigação
A GR6, que se autodenomina a “número 1 do funk”, gerencia a carreira de cerca de 300 artistas, incluindo nomes como MC Livinho, MC Hariel e MC Don Juan. Seu canal no YouTube ostenta mais de 32 bilhões de visualizações, evidenciando sua magnitude no mercado.
A Love Funk, comandada por Henrique Viana, é responsável pela carreira de artistas como MC Paiva e Paulin da Capital, além de ter impulsionado nomes como MC Daniel. A produtora acumula impressionantes 8 bilhões de visualizações em seu canal no YouTube.
Já a Bololô Records, fundada pelo próprio MC Ryan SP, conta em seu casting com artistas como MC Meno K e DJ Japa NK, que figuram entre os mais ouvidos do país. No YouTube, a produtora soma 200 milhões de visualizações.
Esquema milionário e influenciadores sob holofote
Segundo a investigação da Polícia Federal, o esquema criminoso movimentou mais de R$ 1,6 bilhão, utilizando o mercado audiovisual para suas operações ilegais. Além dos MCs, influenciadores como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, com quase 15 milhões de seguidores, também foram presos.
A investigação aponta que a organização criminosa unia o tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais à imagem de influenciadores para promover e lavar dinheiro. A defesa de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo afirmou desconhecer os detalhes da investigação até o momento, mas expressou confiança na inocência de seus clientes e na comprovação da origem lícita de seus bens.





