Libaneses voltam para casa após início de cessar-fogo; Trump diz ter proibido novos ataques de Israel
Pessoas deslocadas pela guerra no Líbano começaram a retornar a cidades e bairros devastados nesta sexta-feira (17). Muitas encontraram suas casas destruídas e evitam permanecer por medo de que o cessar-fogo entre Hezbollah e Israel fracasse.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nas redes sociais ter proibido Israel de bombardear o país vizinho, declarando “Já chega”. No dia anterior, ele anunciou um acordo de cessar-fogo de dez dias entre Beirute e Tel Aviv, mas autoridades de ambos os lados ameaçaram romper o acordo em caso de violações.
A trégua entrou em vigor à meia-noite de sexta-feira (17) no horário do Líbano. Conforme informação divulgada pelas fontes, o Exército libanês denunciou supostos descumprimentos por parte do governo de Binyamin Netanyahu horas após o início do acordo e pediu aos cidadãos que adiem o retorno a vilarejos do sul.
Netanyahu mantém tom de alerta sobre continuidade da operação
Em pronunciamento televisionado, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, declarou que o país “não terminou o trabalho” contra o Hezbollah. Ele afirmou que ainda há planos para enfrentar a ameaça remanescente de foguetes e drones, em declaração feita antes da mensagem de Trump. Mais cedo, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, já havia sinalizado que a operação militar no Líbano não estava concluída.
Origem do conflito e cenário de destruição
A guerra, segundo as fontes, começou quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. O Líbano foi arrastado para o conflito após o Hezbollah, aliado de Teerã, lançar foguetes contra o território israelense em 2 de março. Na manhã desta sexta, um engarrafamento se formou na ponte de Qasmiyeh, que liga a região de Tiro ao restante do país. A ponte, que sofreu danos em ataques israelenses na quinta-feira, foi reparada pelo Exército para permitir o tráfego.
O governo libanês informou que 13 pessoas morreram na ofensiva realizada horas antes do início do cessar-fogo. A população, em parte, ignorou as advertências do Exército israelense para não retornar à zona ao sul do rio Litani, mantendo a ocupação da área de fronteira.
Retorno e busca por pertences em meio à devastação
Além do engarrafamento, libaneses foram às ruas para celebrar a trégua. Alguns habitantes, no entanto, aproveitaram o cessar-fogo apenas para buscar seus pertences. “Há destruição e não dá para viver. Não dá. Estamos pegando nossas coisas e indo embora de novo”, disse Fadel Badreddine, que visitava a cidade de Nabatieh, em grande parte destruída, com sua mulher e filho.
Ele expressou o desejo de que “Deus nos conceda alívio e acabe com tudo isso de forma permanente — não temporária — para que possamos voltar às nossas casas.”
Impacto humanitário e objetivos militares
A guerra resultou na morte de mais de 2.100 pessoas no Líbano e forçou cerca de 1,2 milhão a deixarem suas casas, de acordo com autoridades libanesas. Israel ordenou a evacuação de moradores de grandes áreas do sul, dos subúrbios de Beirute e de outras regiões. A maior parte dos deslocados pertence à comunidade muçulmana xiita.
Israel destruiu vilarejos libaneses no sul com o objetivo de criar uma “zona de amortecimento”, visando, segundo o país, proteger cidades do norte de Israel contra ataques do Hezbollah. O grupo lançou centenas de foguetes e drones contra Israel durante a guerra, resultando na morte de dois civis e 13 soldados israelenses desde 2 de março, segundo Tel Aviv.
Questões em aberto e negociações futuras
Trump afirmou que os países vizinhos trabalharão por um acordo a longo prazo, mas o cessar-fogo deixa questões importantes em aberto. O acordo não exige a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano, e o Hezbollah mantém o “direito de resistir”.
Lina Khatib, pesquisadora associada do instituto Chatham House, em Londres, considera provável a continuidade de atividades israelenses no sul do Líbano. Ela avalia que, mesmo com violações militares, isso não significaria o abandono do compromisso político das partes com os termos do acordo.
Trump declarou que o Líbano concordou em “cuidar do Hezbollah”, enquanto Netanyahu reafirmou que a principal exigência de Israel é o desmantelamento do grupo. O presidente americano conversou por telefone com seu homólogo libanês, Joseph Aoun, que agradeceu pelos esforços para garantir paz e estabilidade na região.
Trump também convidou Aoun e Netanyahu para um encontro na Casa Branca nos próximos dias, afirmando que ambos os lados desejam a paz e que acredita que ela ocorrerá rapidamente. Ele também expressou em redes sociais a expectativa de que o Hezbollah “se comporte de maneira adequada e correta” durante o período de dez dias do cessar-fogo.





