IBGE revela que aluguel de imóveis atinge patamar histórico no Brasil, e apartamentos ganham espaço frente a casas.
O cenário habitacional brasileiro está passando por transformações marcantes. Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam um crescimento expressivo no número de domicílios alugados no país, atingindo o **maior patamar da série histórica**. Paralelamente, a proporção de imóveis próprios já quitados apresentou uma queda.
Essa mudança reflete um Brasil com mais inquilinos e menos proprietários de imóveis livres de financiamento. A locação de imóveis, que já representa quase um quarto de todos os domicílios, ainda está abaixo da média de países desenvolvidos, mas a tendência de alta é clara e acelera.
A pesquisa do IBGE também aponta para um dinamismo diferente na construção civil, com a **verticalização ganhando força**. O número de apartamentos em construção e existentes cresce em um ritmo muito mais acelerado do que o de casas, sinalizando uma mudança na paisagem urbana e nas preferências de moradia.
Queda nos Imóveis Quitados e Ascensão do Aluguel
Conforme os dados da Pnad Contínua, a participação dos imóveis próprios já quitados no total de domicílios brasileiros caiu 6,5 pontos percentuais entre 2016 e 2025, passando de 66,7% para 60,2%. Em contrapartida, o número de domicílios alugados apresentou um crescimento impressionante de 54,1% no mesmo período.
Em 2016, eram 12,2 milhões de domicílios alugados. Este número saltou para 18,9 milhões em 2025. Em termos proporcionais, a fatia de domicílios alugados avançou de 18,3% para 23,8%, alcançando o **maior patamar já registrado pelo IBGE**. Apesar disso, o Brasil ainda está atrás de países como Estados Unidos (31%), a média da União Europeia (34%) e a Suíça (57%) em termos de locação habitacional.
Verticalização Acelera o Crescimento de Apartamentos
A análise do IBGE também revela um crescimento desigual entre casas e apartamentos. Entre 2016 e 2025, o número total de domicílios no país aumentou 18,9%, chegando a 79,3 milhões. Desse total, a maior parte ainda é composta por casas, somando 65,6 milhões (82,7%).
No entanto, o ritmo de expansão é consideravelmente diferente. O número de apartamentos cresceu 48,7% na última década, enquanto o de casas avançou 14,2%. Foram adicionados cerca de 4,5 milhões de apartamentos, em comparação com 8,2 milhões de casas. Essa diferença percentual evidencia uma **aceleração significativa da verticalização** no Brasil.
Aumento de Pessoas Morando Sozinhas
Outra tendência observada pela Pnad Contínua é o aumento do número de brasileiros que optam por morar sozinhos. Entre 2012 e 2025, a proporção de lares habitados por uma única pessoa cresceu de 12,2% para 19,7%. Esse aumento representa um salto absoluto de 8,2 milhões de domicílios unipessoais.
O perfil daqueles que moram sozinhos é diversificado. A maior parte (46,8%) tem entre 30 e 58 anos, e uma parcela considerável (41,2%) tem 60 anos ou mais. Jovens de 15 a 29 anos representam 12% desse grupo. Entre os que vivem sozinhos, os homens são maioria (54,9%), mas o perfil etário difere: 56,6% dos homens têm entre 30 e 59 anos, enquanto 57% das mulheres têm 60 anos ou mais. As regiões Sudeste e Centro-Oeste concentram as maiores proporções de pessoas morando sozinhas.
Mudanças no Arranjo Familiar
Embora o arranjo familiar nuclear, composto por casais com ou sem filhos, pais ou mães com filhos, ainda seja o mais comum (representando 65,6% dos domicílios em 2025), ele também apresentou uma leve queda em relação a 2012, quando somava 68,4%. Essa diminuição, juntamente com o aumento de domicílios unipessoais, sugere uma **diversificação dos modelos de moradia e arranjos familiares** no Brasil.





