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Douglas Ruas é Eleito Presidente da Alerj em Votação Aberta Após Turbulências Políticas no Rio de Janeiro

Douglas Ruas assume a presidência da Alerj em eleição disputada e com ausência da oposição

Em uma manhã de sexta-feira marcada por tensões e tentativas de obstrução, o deputado estadual Douglas Ruas, do PL, foi eleito o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A votação, que ocorreu em plenário, contou com a participação de 45 parlamentares, resultando em 44 votos a favor de Ruas e uma única abstenção.

A oposição, composta pelos partidos PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL, decidiu se ausentar da sessão. O motivo principal foi a discordância com a realização do pleito por voto aberto, argumentando que tal modalidade poderia expor os parlamentares a pressões e retaliações políticas. Em contrapartida, defendiam a realização da votação de forma secreta.

Ao todo, 25 deputados estaduais não compareceram à votação. A única abstenção registrada foi a do deputado Jari Oliveira, do PSB. Curiosamente, Oliveira, mesmo sendo da oposição, participou da sessão remotamente, mas apenas para votar em Dr. Deodalto para o cargo de 2º secretário da mesa diretora, que foi eleito com 45 votos.

Decisão Judicial Garantiu Votação Aberta Contra Pedido de Sigilo

A estratégia dos partidos de oposição em adiar ou modificar o formato da eleição foi frustrada por uma decisão judicial. Na quinta-feira (16), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) rejeitou o pedido do PDT para que a sessão de votação para a presidência da Alerj fosse realizada sob sigilo.

O deputado Guilherme Delaroli, do PL, que estava no exercício da presidência da Casa desde o afastamento de Rodrigo Bacellar, anunciou o resultado. “Votaram 45 deputados, 44 votos sim e uma abstenção. Para a presidência, o meu irmão Douglas Ruas está eleito e empossado como presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Peço que o mesmo venha assumir a presidência”, declarou Delaroli.

Contexto de Instabilidade Política no Rio de Janeiro

A eleição de Douglas Ruas ocorre em um cenário de considerável instabilidade política no Rio de Janeiro. O afastamento de Rodrigo Bacellar da presidência da Alerj foi motivado por sua prisão em decorrência de vazamento de informações sigilosas da Operação Unha e Carne, que investiga o ex-deputado estadual TH Joias por supostas ligações com o Comando Vermelho. Bacellar já havia sido preso anteriormente em dezembro de 2025, mas foi solto por decisão do plenário da Alerj.

Em seu primeiro discurso após assumir a presidência, Douglas Ruas direcionou suas críticas aos partidos PSD e PDT por tentarem impedir a votação aberta, que ele considera um método mais democrático. Ruas ressaltou o período incomum pelo qual o Rio de Janeiro tem passado, com interinidade nos três poderes.

Ruas Promete Presidir para os 70 Deputados e Busca Soluções para o Estado

O novo presidente da Alerj enfatizou que o Rio de Janeiro vivenciava um momento sem precedentes, com interinidade no governo do estado, no Judiciário e, até então, no Legislativo. “No governo do estado do Rio de Janeiro, também interinidade no Judiciário, tendo em vista que o presidente daquele poder [desembargador Ricardo Couto] está exercendo cargo de governador, e lá está a desembargadora [Suely Lopes Magalhães] de forma interina conduzindo aquele poder, e também tínhamos uma interinidade no poder legislativo”, afirmou.

Douglas Ruas declarou que sua gestão abrangerá todos os 70 deputados que compõem a Alerj. “Agradeço a cada um dos senhores e senhoras deputados e deputadas que confiaram a mim essa missão, que não é uma missão individual e, sim, coletiva, construída através do diálogo, buscando sempre as soluções em favor da população do estado do Rio de Janeiro”, concluiu.

Histórico de Anulação de Eleição Anterior de Ruas

É importante notar que Douglas Ruas já havia sido eleito para o mesmo cargo em uma votação anterior na Alerj. Contudo, essa eleição foi anulada por decisão da presidente em exercício do TJRJ. A justificativa foi que o processo eleitoral só poderia ser iniciado após a retotalização dos votos dos parlamentares pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), procedimento necessário após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar.

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