Paulinho da Viola, um gigante do samba, celebra mais de três décadas sem lançar um álbum de estúdio com músicas inéditas, mantendo-se como uma força viva nos palcos brasileiros. Aos 83 anos, o artista prova que sua obra atemporal é suficiente para encantar o público, que lota teatros para ouvir seus clássicos.
Parece inacreditável, mas em 2026 completam-se 30 anos desde o último lançamento de estúdio de Paulinho da Viola com material inédito. Seu antepenúltimo trabalho de estúdio, intitulado Bebadosamba, chegou às lojas em 1996, marcando o fim de uma era de lançamentos regulares de canções originais.
Desde então, o compositor, cantor e instrumentista carioca tem apresentado esporadicamente novas composições em apresentações ao vivo e em registros sonoros desses shows. Exemplos recentes incluem os álbuns ao vivo Sempre se pode sonhar, de 2020, e Paulinho da Viola 80 anos, lançado em 2025.
Atualmente, Paulinho da Viola está em turnê pelo Brasil com o show Quando o samba chama, que empolgou o público no Rio de Janeiro no último sábado, 18 de abril. Aos 83 anos, o artista demonstra uma energia contagiante e, aparentemente, nenhuma pressa em retornar aos estúdios para gravar um novo álbum de inéditas, conforme informações divulgadas por fontes ligadas ao artista.
A discografia de estúdio impecável de Paulinho da Viola
A decisão de Paulinho da Viola de se manter afastado dos estúdios pode ser compreendida ao analisarmos sua extensa e aclamada discografia de estúdio. Desde seu primeiro álbum solo, Paulinho da Viola, de 1968, até o já citado Bebadosamba, não há um único título que possa ser considerado menor. A regularidade na produção de discos com repertório inédito poderia, hipoteticamente, resultar em trabalhos menos impactantes, especialmente quando comparados à obra fonográfica pregressa do artista.
O receio de macular uma obra-prima
Como um mestre tanto na música quanto na marcenaria, Paulinho da Viola construiu uma obra com a paciência e o requinte de um ourives. Ele é visto como um guardião moderno das tradições do samba e do choro, gêneros que dominam seu cancioneiro. Talvez o artista nutra um receio sutil de manchar essa obra-prima com um álbum de estúdio que não atenda aos altos padrões estabelecidos, especialmente em um momento mais avançado de sua carreira.
O legado garantido pelas apresentações ao vivo
Sob essa perspectiva, é difícil questionar a escolha do artista de se manter distante dos estúdios, guardando sua viola. Afinal, a obra de Paulinho da Viola já está consolidada e reverenciada. É justamente essa obra requintada, porém paradoxalmente acessível ao grande público, que tem garantido plateias lotadas e um público visivelmente emocionado em cada apresentação.
O show Quando o samba chama, por exemplo, tem sido um sucesso, provando que a força do samba e a genialidade de Paulinho da Viola continuam a ressoar poderosamente com o público, mesmo sem a necessidade de novas gravações em estúdio.




