União Europeia Atinge Marca Histórica na Concessão de Cidadanias em 2024
Os 27 países membros da União Europeia registraram um feito inédito em 2024, concedendo quase 1,2 milhão de cidadanias a imigrantes residentes no bloco. Este número representa um aumento expressivo de 11,6% em relação ao ano anterior, consolidando uma tendência de alta de 54,5% na última década.
Os dados mais recentes, divulgados pelo Eurostat, o instituto de estatísticas da UE no final de março, refletem a crescente importância da aquisição de cidadania europeia para residentes de diversas nacionalidades. Esses números são cruciais para entender os movimentos migratórios e as políticas de integração dentro do bloco.
As motivações por trás desse aumento são variadas, incluindo fatores como conflitos, guerras e instabilidade econômica em países fora da UE, como Síria, Ucrânia e Venezuela. Além disso, cidadãos de países membros, como a Romênia, também figuram entre os que mais obtiveram cidadanias de outros países da UE, especialmente da Itália.
Alemanha Lidera Concessão de Cidadanias com Forte Impacto de Refugiados Sírios
A Alemanha se destacou como o país que mais concedeu cidadanias, totalizando 288,7 mil, um aumento de 44% em comparação com 2023. Os grupos mais beneficiados foram sírios e turcos. Essa elevação é parcialmente atribuída a uma reforma legislativa que reduziu o tempo de residência legal exigido de 8 para 5 anos e permitiu a dupla nacionalidade para estrangeiros naturalizados.
No entanto, especialistas como Maarten Vink, diretor de pesquisas sobre cidadanias do Instituto Universitário Europeu, apontam que o impacto demográfico da chegada de refugiados sírios a partir de 2015 ainda é o principal motor dos números alemães. A expectativa é que os efeitos completos da reforma legislativa, que entrou em vigor em junho de 2024, sejam mais evidentes nos dados de 2025.
Espanha e Itália Beneficiam Principalmente Moradores de Marrocos e Venezuela
A Espanha ficou em segundo lugar, concedendo cidadanias majoritariamente a pessoas de origem marroquina e venezuelana. A Venezuela, em particular, viu um aumento de 269% em cidadanias reconhecidas desde 2022, reflexo da grave crise econômica e política em seu país, com a Espanha sendo o principal destino para essas aquisições.
A Itália, em terceiro lugar, beneficiou comunidades historicamente estabelecidas em seu território, como albaneses e marroquinos, que podem solicitar a cidadania após dez anos de residência. As regras italianas também permitem a aquisição por direito de sangue, um caminho frequentemente utilizado por brasileiros.
Brasileiros Buscam Cidadania Europeia Principalmente por Descendência
O Brasil figura como o décimo país de origem com maior número de aquisições de cidadania da UE, com 30 mil registros em 2024, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. Os destinos preferenciais para os brasileiros foram Itália, Portugal e Espanha.
Na Itália, a maioria dos brasileiros obteve a cidadania por descendência, um processo que não exige tempo mínimo de residência. No entanto, uma recente restrição imposta pelo governo italiano em 2025, limitando o acesso de descendentes a duas gerações nascidas no exterior, deve impactar negativamente esses números nos próximos anos.
Em Portugal, brasileiros foram os maiores beneficiados em 2024, seguidos por cidadãos de Cabo Verde. Diferentemente da Itália, os brasileiros formam o maior grupo de estrangeiros residentes em Portugal, o que também facilita o acesso à cidadania por diferentes vias, incluindo a descendência.





