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Mercado Imobiliário 2026: Juros em Queda, Sonho da Casa Própria e Dados Revelam Caminho para Expansão Acelerada

Mercado Imobiliário em 2026: Projeções de Gigantes do Setor Indicam Crescimento Acelerado com Resiliência da Demanda

O mercado imobiliário brasileiro demonstra um potencial notável para um crescimento acelerado em 2026. No entanto, especialistas alertam que fatores macroeconômicos podem influenciar o ritmo dessa expansão. Essa é a avaliação conjunta de figuras proeminentes do setor financeiro e imobiliário.

Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander, e Guilherme Benchimol, fundador e presidente executivo do conselho da XP Inc., compartilharam suas perspectivas durante a Convenção Loft/Portas 2026. Mate Pencz, cofundador e CEO da Loft, apresentou uma visão semelhante, destacando a resiliência do setor mesmo em um cenário de juros elevados.

Essas projeções vêm de um ano, 2025, que contrariou previsões pessimistas, registrando um desempenho histórico para o setor imobiliário. A demanda por moradia e investimentos em imóveis provou ser robusta. Conforme informações divulgadas na Convenção Loft/Portas 2026, o mercado imobiliário em 2026 tem condições de apresentar um cenário promissor.

A Visão dos Líderes: O Cenário do Mercado Imobiliário em 2026

Guilherme Benchimol (XP) enfatiza que a **intervenção estatal excessiva** contribui para a manutenção de juros altos e necessita de revisão. Ele ressalta que o **sonho da casa própria** permanece inalterado, sendo a base da oportunidade para o setor imobiliário. A **queda dos juros** é vista como o principal vento favorável para o mercado nos próximos anos.

Ana Paula Vescovi (Santander) aponta um **potencial de salto** para o Brasil no que diz respeito ao crédito imobiliário, com a possibilidade de sair de 10% para 28% do PIB, igualando o nível do Chile. Ela defende a necessidade de uma **reforma do crédito**, migrando do modelo de juros subsidiados para a **securitização**. A economista também destaca a importância da **inovação**, como o uso de dados e o “aluguel consignado”, como ferramentas de modernização do mercado.

Mate Pencz (Loft) celebrou um **recorde de vendas** em 2025, com o setor superando R$ 260 bilhões em VGV (Valor Geral de Vendas), mesmo com juros elevados. Ele ressaltou a **valorização real** dos ativos imobiliários, que subiram 18,6% em 12 meses, acima da inflação. Pencz também mencionou que grandes players possuem **landbanks bilionários** prontos para o ciclo de expansão.

Recorde de Vendas e Valorização em 2025: A Força do Setor Imobiliário

Mate Pencz, CEO da Loft, detalhou que em 2025 foram lançadas mais de 453 mil unidades residenciais em todo o país. As vendas acompanharam esse ritmo, superando a marca de 426 mil imóveis comercializados. Este desempenho robusto ocorreu mesmo diante de um cenário de crédito imobiliário mais caro.

O volume geral de vendas, medido pelo VGV, ultrapassou a expressiva marca de R$ 260 bilhões. Esse número evidencia a magnitude da atividade econômica e a capacidade das incorporadoras em manter projetos relevantes em andamento. Outro dado relevante apresentado foi a valorização dos ativos imobiliários.

Em um período de 12 meses, os imóveis registraram uma valorização de 18,6%, um avanço significativamente superior à inflação acumulada no mesmo período. “Em outras palavras, além de vender, o setor também preservou e ampliou valor”, explicou Pencz, reforçando a saúde financeira do mercado.

Desafios Superados e Perspectivas para 2026: O Ritmo Acelerado do Setor

Pencz ressaltou que todos esses resultados positivos ocorreram em um ano considerado desafiador. “Com juros altos, o financiamento fica mais caro, a tomada de decisão tende a ser mais lenta e o custo das empresas sobe. Ainda assim, o mercado entregou expansão”, analisou o CEO da Loft.

Ele vislumbra um cenário ainda mais positivo para 2026, com o setor já iniciando o ano em ritmo acelerado. No segmento de incorporação privada, alguns resultados já chamam a atenção. A Moura Dubeux, por exemplo, registrou um crescimento de 218% em novos projetos, alcançando R$ 1,3 bilhão. A MRV&Co, por sua vez, reportou R$ 387 milhões em lucros no trimestre, reforçando a melhora operacional e o momento favorável para grandes companhias.

Essas empresas, juntas, possuem um landbank somado de R$ 51,8 bilhões em terrenos destinados a futuros empreendimentos, uma reserva estratégica importante para a expansão nos próximos anos. “O cenário ganha ainda mais força quando esses fatores se combinam”, disse Pencz.

O Impacto da Queda dos Juros e a Resiliência do Sonho da Casa Própria

Guilherme Benchimol, da XP Inc., compartilha a visão otimista sobre o mercado imobiliário em 2026. Ele critica a “matriz macro esgotada” com intervenção estatal excessiva que mantém juros altos, defendendo que o governo precisa rever essa política. Benchimol reforça que o “sonho do brasileiro, lá atrás, era a casa própria — e segue sendo hoje.”

A lógica é direta: juros menores reduzem o custo do dinheiro, facilitam financiamentos, estimulam a expansão empresarial e aumentam o apetite por consumo de bens de maior valor. Em um ambiente de Selic em queda, empresas tendem a rever planos de investimento, e famílias voltam a considerar compras que dependem de crédito de longo prazo, especialmente no mercado imobiliário.

Com taxas de juros menores, o financiamento habitacional se torna mais acessível, a demanda reprimida tende a ressurgir e as incorporadoras ganham estímulo para lançar novos projetos. Bancos e agentes do setor já trabalham com a expectativa de um crescimento relevante no crédito imobiliário em 2026, caso o ciclo de afrouxamento monetário se confirme.

Desafios Fiscais e a Trajetória dos Juros: O Que Define 2026

Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander, aponta que o principal freio para o processo de queda dos juros reside nas contas públicas. A trajetória fiscal do país será decisiva para determinar até onde os juros podem cair. O cenário-base atual da economista prevê um recuo tímido da Selic, de 14,75% para cerca de 12% ao ano.

Esse ritmo, no entanto, ainda depende da confirmação de fatores como a evolução de conflitos internacionais e a condução da política fiscal. “A taxa de 14,75% ao ano é contracionista, mas vai se normalizar, ainda que possa demorar mais do que o esperado. Só o ciclo de redução dos juros já traz mais oportunidades para a economia e o setor imobiliário”, afirmou Vescovi.

A economista também destacou o potencial de crescimento do crédito imobiliário no Brasil. Ela compara o mercado atual com o de outros países, como Chile (28% do PIB em crédito) e Canadá (64% do PIB), indicando que o Brasil, com 10% do PIB, tem espaço para avançar. “É importante entender que, além da taxa de juros, há o custo do capital e os marcos regulatórios”, ponderou.

Vescovi defende a modernização do crédito imobiliário, propondo o uso mais efetivo de dados para precificar o risco de cada mutuário e comprador. A criação de um cadastro único nacional, prevista com a reforma tributária, pode gerar múltiplas interações de agentes sobre uma mesma fonte de informação, abrindo caminho para instrumentos como o “aluguel consignado” e a discussão de regulamentações que modernizem o sistema de crédito no Brasil.

A principal preocupação do mercado é que, mesmo com a inflação permitindo cortes técnicos da Selic, a percepção de risco fiscal pode manter os juros em patamar elevado por mais tempo. Investidores, ao enxergarem deterioração das contas públicas, tendem a cobrar um prêmio maior para financiar o país, pressionando câmbio e juros futuros.

Condições Externas e Internas Moldam o Futuro dos Juros em 2026

Além do ajuste fiscal, o Banco Central monitorará de perto o comportamento da inflação. Oscilações cambiais, choques em commodities, tensões geopolíticas e eventos climáticos extremos podem impactar os preços e reduzir a margem para afrouxamento monetário. Portanto, a queda dos juros depende tanto da disciplina interna quanto de um ambiente externo menos turbulento.

Se o ajuste fiscal avançar e a inflação permanecer controlada, 2026 poderá marcar o início de um ciclo econômico mais favorável para o Brasil. Crédito mais abundante, construção civil aquecida, consumo em recuperação e maior disposição para investir comporiam o novo cenário. Sem essas condições, o país corre o risco de repetir a dinâmica recente de crescimento moderado e juros ainda altos.

“Se a Selic cair, vamos torcer para que caia estruturalmente, e não só ciclicamente. O crédito fica naturalmente mais acessível. Com portabilidade de crédito, automaticamente o mercado cresce. E, novamente, queria frisar: demanda não falta no Brasil. Podemos crescer muito, de forma inteligente, com uso de dados, tecnologia, dados unificados e conhecimento do cliente”, concluiu a economista-chefe do Santander.

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