Petro suspende negociações de paz com uma das maiores guerrilhas da Colômbia em meio a críticas e descumprimentos de acordos.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou nesta terça-feira (21) a suspensão das negociações de paz com uma das principais guerrilhas do país, liderada pelo comandante conhecido como Calarcá. Esta decisão representa mais um **revés significativo** para a política de “paz total” promovida pelo governo, que busca dialogar com diversos grupos armados.
A medida surge em um momento delicado, com o mandato de Petro se aproximando do fim. Quase todos os processos de diálogo iniciados durante sua presidência têm enfrentado **rupturas, suspensões ou avanços limitados**, levantando dúvidas sobre a eficácia da estratégia de pacificação.
Paralelamente, o Clã do Golfo, a maior organização criminosa ligada ao narcotráfico na Colômbia, também descartou a possibilidade de negociar um acordo de paz sob a atual presidência. A informação foi divulgada pelo advogado do grupo, Ricardo Giraldo, que considera **”impossível”** chegar a um acordo final com o governo Petro, ressaltando o desejo de que o processo avance “com o Estado” e se estenda para além do seu mandato. Conforme informação divulgada pela mídia, o governo de Petro mantinha diálogos desde 2023 com Calarcá, chefe do Estado-Maior de Blocos, uma das maiores dissidências das Farc que não aderiu ao acordo de paz de 2016.
Motivos para a Suspensão e Acusações de Crimes de Guerra
Em uma reunião ministerial transmitida pelas redes sociais, o presidente Petro instruiu o Conselheiro Presidencial de Paz, Otty Patiño, a revisar os acordos. Petro declarou que, se Calarcá não cumpriu os acordos, como a proibição de queimar florestas, e se dedicou a **matar soldados ou rivais com crimes de guerra**, então “não há paz”.
“O que vamos fazer? Eu gostaria da paz, mas a paz tem que ser feita sobre bases sérias, não sobre mentiras”, afirmou o presidente. O grupo de Calarcá tem sido acusado de continuar realizando ataques contra as forças de segurança e civis em suas áreas de atuação, especialmente na fronteira com a Venezuela e na Amazônia. Uma de suas principais fontes de financiamento, segundo informações, inclui o **desmatamento para pecuária, narcotráfico, extorsão e mineração ilegal**.
Outros Diálogos de Paz em Crise
A suspensão com o grupo de Calarcá se soma a uma série de outros fracassos nas tentativas de Petro de consolidar a paz. O presidente, que tem um passado como ex-guerrilheiro, tem enfrentado dificuldades em quase todos os seus esforços de negociação. O diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN), a guerrilha mais antiga do continente, foi interrompido após um ataque que resultou em mais de cem mortos no início do ano passado.
Similarmente, as conversas com outra dissidência das Farc, comandada por Iván Mordisco, também foram abandonadas pelo guerrilheiro, que **intensificou atentados com carros-bomba e drones**. Analistas apontam que a estratégia de “paz total” de Petro, embora bem-intencionada, pode ter contribuído para o fortalecimento de alguns grupos armados, uma abordagem criticada por opositores, ex-presidentes e militares da reserva.
Pressão Política e Internacional
A poucas semanas das eleições presidenciais de 31 de maio, que definirão seu sucessor, Petro tem enfrentado uma pressão crescente. Críticos acusam o presidente de indulgência com os grupos armados. Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs sanções sob a alegação de que o governo colombiano não tem sido suficientemente eficaz no combate ao narcotráfico, adicionando uma camada de **pressão internacional** aos esforços de pacificação do país sul-americano.





