Família egípcia em Guarulhos: drama de 16 dias em área restrita do aeroporto por falta de visto humanitário
Desde o dia 8 de abril, a área restrita do Aeroporto de Guarulhos se tornou o lar improvisado de Abdallah Montaser, 31, sua esposa, de 27 anos, e seus dois filhos menores de cinco anos. A família egípcia foi impedida de entrar no Brasil e aguarda há 16 dias uma resposta sobre o pedido de visto humanitário, vivenciando uma situação de extrema vulnerabilidade.
A companhia aérea responsável pelo transporte os acomodou no hotel Tryp by Wyndham, localizado dentro do aeroporto, impedindo-os de sair sem autorização das autoridades. Enquanto a empresa arca com os custos da esposa e das crianças, Abdallah Montaser não tem o mesmo benefício, aumentando a complexidade da situação.
O drama ganhou contornos mais graves nesta sexta-feira (24), quando a esposa de Montaser, grávida de 34 semanas, precisou ser levada ao Hospital São Luiz de Guarulhos. Exames constataram infecção urinária e a presença de sangue na urina, fatores de risco para um parto prematuro. Conforme informações divulgadas pela Folha, a família busca uma solução urgente para essa crise humanitária.
Pedido de socorro e negação de assistência médica
Segundo o relato de Abdallah Montaser, engenheiro civil, a assistência médica foi solicitada à Polícia Federal na noite de quinta-feira (23), após sua esposa sentir fortes dores no baixo ventre e uma diminuição nos movimentos do feto. Contudo, ele foi informado de que o pedido de ambulância para avaliação hospitalar havia sido negado, e o translado só ocorreu na manhã seguinte.
Fuga do Egito e preocupação com deportação
Montaser explicou que a família vinha da Arábia Saudita e residia no Bahrein. Ele deixou o Egito em 2015 após ser condenado a três anos de prisão com trabalhos forçados por participar de manifestações contra o governo. Ao chegar ao Brasil com visto de turista, teve a entrada negada, o que o surpreendeu, pois já visitou mais de 15 países e possui vistos para áreas com restrições severas.
Enquadramento em portaria e falta de justificativa
O advogado da família, William Fernandes, informou que Abdallah Montaser foi considerado um indivíduo perigoso com base na portaria 770/2019 do Ministério da Justiça. Esta portaria estabelece critérios para o impedimento de entrada de pessoas ligadas a terrorismo, grupos criminosos, tráfico de drogas, pessoas, armas, além de pornografia ou exploração sexual de menores.
Tanto Montaser quanto seu advogado afirmam não terem sido informados sobre o motivo exato do enquadramento na portaria e negam veementemente qualquer vínculo criminoso. A principal preocupação reside na possibilidade de deportação, que poderia levar a família de volta ao Egito, onde Montaser teme ser preso.
Silêncio das autoridades e esperança por solução
Até a publicação desta reportagem, as assessorias da Polícia Federal e do aeroporto de Guarulhos não haviam respondido aos contatos para comentar o caso. A família egípcia continua em um limbo no aeroporto, clamando por uma solução humanitária e pelo reconhecimento de sua situação.





